O verdadeiro mal

Até o momento imunizado contra a tentação partidária e o fanatismo vigente, não vejo no fato em si (a suspensão da pesquisa da vacina do Butantan) o problema mais grave. Antes, outra pesquisa, a de Oxfod/laboratório Astra-Zeneca, fora suspensa. Num caso e no outro, pareceu-me, a princípio, razoável a decisão da ANVISA. A meu juízo, as explicações dadas pela equipe da Agência, na coletiva da terça-feira, corresponderiam pelo menos parcialmente, a padrões aceitáveis. Outro, portanto, o problema a ser enfrentado, um nível acima. Refiro-me à reação do Presidente as República, ratificando a imagem de genocida, que ele faz absoluta questão de reiterar, revigorando-a, sempre que haja oportunidade para fazê-lo. Pouco importa que o episódio envolva vidas humanas, a Bolsonaro interessa apenas a guerra por ele mesmo declarada, com o apoio de quase 68 milhões de brasileiros. A hipótese mais generosa na análise do comportamento do ex-capitão mostra-o participando sempre de um jogo em que um ganhará e outro será o perdedor. Daí o regozijo provocado pela suspensão da pesquisa, sem qualquer outra exigência ou consideração. Não é a primeira vez em que o Presidente revela apego à morte, dos outros por preferência. A reação do Presidente, portanto, alinha-se a sentimentos e valores por ele cultuados e disseminados, como a paixão pelas armas, a indiferença diante da morte de quase 170 mil brasileiros abatidos pela covid-19 e a frustração por não terem sido no mínimo 30 mil os mortos pela ditadura. Fica-se, ao fim e ao cabo, sem saber quem é mais danoso à população, o novo coronavírus ou Jair Messias Bolsonaro.

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