*O VERÃO AMAZÔNICO*


É tempo de vazante dos rios amazônicos. Os lagos estão abarrotados de peixes. É tempo de fartura. Este ano o defeso começa dia 15 de novembro e vai até 15 de março, período que a gente só come peixe de estoque em frigorífico ou de viveiro.

Os meses de seca (o caboclo amazônida pronuncia séca) têm seu auge de setembro a novembro. Com o rio descendo, os peixes ficam presos nos lagos, se tornando alvos fáceis para pescas de anzol e de tarrafa. A pesca grande pode ser feita, também, no rio ou em paranás, com os arrastões de redes.

É tempo de muita oferta de pescado: pacu, aracu, curimatã, surubim, carauaçu, sardinha, bodó, e muitos outros, citando só o estado do Amazonas. A bacia amazônica concentra a maior diversidade de peixe de água doce do mundo, com mais de 2.500 espécies.

As feiras de Manaus se tornam uma só alegria nesse período. É proteína barata, saborosa, que alimenta e faz parte da nossa dieta e da nossa cultura.

É tempo de muita quentura. É tempo de urubu voar só com um lado da asa e se abanar com o outro lado, como diz o caboclo no seu fino sarcasmo. É comum no nosso verão a sensação térmica de 41°. É tempo de muito cheiro de chifre derretido, diz o manauara encrenqueiro.

Mas o tempo quente e a vazante dos rios também nos trazem as belas praias. No interior do Amazonas é banho de rio e de sol todos os dias, para refrescar o calor e fazer o bronzeado. Em Manaus, igarapés ficam cheios e as praias da lua, do tupé, da ponta negra, do açutuba e a dourada são as mais frequentadas. Ainda tem os flutuantes, pontos de encontro de todas as idades. Em tempos de pandemia, é uma festa para o coronavírus, um penetra que aproveita a porta aberta.

O verão amazônico é intenso, quente, com mormaço e muita cerveja. É uma alegria difícil de conter. O tempo é parte da vida do nosso povo.

Lúcio Carril

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