O trágico objetivo de Trump


Pode o crime ser praticado sob o pretexto de combater outro crime? É lícito e justo admitir a prática de um crime sob a alegação da necessidade de punir delito já praticado? Ou, pior, na iminência de ser praticado?

Essas indagações, tão presentes nos processos levados a cabo pela Operação Lava Jato, têm agora sua versão internacional. Justificando o assassinato do general iraniano Suleimani, o Presidente Donald Trump vincula a decisão de matar o líder militar do Irã ao propósito de evitar o terrorismo.

Aqui, como em território iraquiano, a configuração dos atos obedece à mesma lógica: só há crime se dele tira proveito o adversário. O inimigo, na lógica malsã dos que o praticam. Assim, o caráter criminoso da conduta deixa de estar no ato em si, para radicar-se no agente do ato delituoso.

Aqui, Moro, Dallagnol e sua grei cometeram toda sorte de ofensas à Constituição e às leis brasileiras, sob o pretexto de combater a corrupção. Substituíram o Estado democrático pelo Estado policial, ganhando a simpatia dos desatentos e pouco afeitos à democracia, pela submissão da Lei (inclusive da Lei Magna) aos seus próprios caprichos e interesses. Neste último caso, interesses compartilhados com outros países, cujos símbolos e dirigentes passaram a reverenciar sem qualquer pudor ou prudência.

No ato terrorista que eliminou importante liderança militar do Irã, o governo norte-americano empreendeu uma das mais flagrantes e inadmissíveis agressões ao Direito Internacional. Como podem os governantes norte-americanos condenar os que derrubaram as torres gêmeas, no lamentável ataque dos aviões tripulados por terroristas-suicidas?

A impossibilidade de evitar ataques das máquinas de terror instaladas em vários pontos do Planeta não pode autorizar a prática do terrorismo de Estado de que lança mão agora Donald Trump. O drone de onde partiram os projéteis que mataram o general iraniano, se poupou a vida dos que o assassinaram, sequer assegura a sobrevivência dos soldados norte-americanos que Trump pretende mandar ao Oriente Médio. Dizer-se que o Presidente dos Estados Unidos da América do Norte objetiva fortalecer sua candidatura à reeleição implica a remoção de qualquer óbice de natureza moral aos propósitos pessoais de Donald Trump. Em síntese, quer dizer que vale tudo, se a permanência no poder é a meta a ser alcançada.

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