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O tanto que não se aprendeu

Mal operada a invasão da Ucrânia pelas forças russas, tratamos o conflito como uma guerra NA (não DA) Ucrânia. A troca do genitivo por um advérbio de lugar tinha a ver, portanto, com os maiores interessados, não com os coadjuvantes e testemunhas interessados no conflito. Ali se jogavam, como ainda se jogam, os interesses de dois impérios. Um, no esforço por recompor a força que assegurou sua participação na guerra fria do século passado; outro, experimentando franco declínio em sua influência política em escala global. Aos europeus vem cabendo, desde que a luta armada se iniciou, testemunhar a morte dos ucranianos e mercenários atraídos pela aventura, a probabilidade de fazer fortuna pondo a própria vida em risco e os resultados do descumprimento de acordos internacionais. Além disso, tentar manter íntegros e afastados da guerra os territórios e as populações nacionais correspondentes. É certo que a História não se faz pelos SE...se a OTAN tivesse desaparecido, como desapareceu o Tratado de Varsóvia...se a União Europeia não se tornasse uma espécie de província d'além-mar, em relação aos Estados Unidos da América do Norte...se fosse outro o Presidente desse país...se a Política não chegasse ao nível atual de degradação...Não é disso, porém, que se alimenta a historiografia, mas dos fatos, duros e desagradáveis quanto o possam ser. A recente revelação da existência de 12 bases e serviços bélicos instalados pelo governo norte-americano na Ucrânia e o claro e reiterado propósito de Trump, cada dia mais próximo da conquista de espaço vital, não importa onde está tal espaço, dizem do desespero que acomete os decadentes. Ao mesmo tempo, a aproximação da Casa Branca e Kremlin no mínimo insinua que a China assume o papel de inimigo comum. Embora o país de Xi Ji-Ping e seu governo pratiquem o chamado capitalismo de Estado, o capitalismo-raiz (chamemo-lo assim, à falta de melhor termo) não se conforma. A Europa, cada dia mais fraca, parece optar pelo passado. Viver ainda como um velho mundo velho. A hora de fortalecer sua economia e reconquistar padrões de convivência correspondentes ao well farei state, retrocede e tenta manter e expandir a OTAN de tão malogrado registro histórico. Enfim, diriam nossos ancestrais, que são brancos, que se entendam. Lembremos, ainda, o papel que o BRICS pode desempenhar nesse tabuleiro.

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