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O Que Não Ensinamos na Medicina

Carta Aberta dos Professores da Escola Paulista de Medicina - Unifesp

Recentemente, tomamos conhecimento das declarações feitas pelo Dr. Roberto Zeballos a respeito das vacinas para a Covid-19. Não é de hoje que este senhor faz declarações contra a vacinação, sem qualquer base científica, em entrevistas e audiências da Câmara ou do Ministério da Saúde. Notoriamente, tem utilizado a sua graduação em Medicina e se autodeclarando especialista para fazer campanha contra as vacinas, prestando um desserviço à saúde. De maneira desrespeitosa, utiliza informações distorcidas e ataca os especialistas em vacina e sociedades científicas e médicas, chamando-os de “analfabetos” e insinuando que existem interesses escusos de todos os que falam em favor das vacinas. Constrange-nos o desrespeito com as milhares de mortes que poderiam ter sido evitadas se as vacinas tivessem sido disponibilizadas em tempo mais oportuno no Brasil. Apesar dos dados inequívocos, que mostram a queda drástica no número de casos e de óbitos após a vacinação ter ganho força no Brasil, este senhor continua fazendo alegações falsas e sem mostrar evidências científicas. Embora tenha o grau de médico e doutorado, parece que pouco aprendeu sobre metodologia científica e aplicações práticas de epidemiologia clínica. Situação que gera, para dizer o mínimo, falta de credibilidade e de integridade. Apresentar experiência clínica individual como única prova da veracidade de suas hipóteses, é desconhecer o mais simples pressuposto de metodologia científica. Ninguém julga um tratamento com base em experiência individual. No caso das vacinas, a eficácia e as decisões clínicas são sustentadas por múltiplos estudos clínicos randomizados, conduzidos de forma ética e reunindo observações sistematicamente coletadas em milhares de pacientes acompanhados sob protocolo. Mas para o Dr. Zeballos e outros negacionistas, a ciência está em segundo plano. Para eles, que negligenciam o compromisso com a metodologia científica na defesa de suas teses, o importante é reunir seguidores em seus púlpitos digitais e construir uma narrativa para sucesso pessoal que alimenta o caos. O diploma de médico de uma instituição, como a Escola Paulista de Medicina/Unifesp, confere um poder de persuasão, que, infelizmente, pode ser usado para benefícios individuais espúrios, de duvidosa postura moral. Por este motivo, nós, docentes da Escola Paulista de Medicina/Unifesp alertamos a população contra os líderes de teorias infundadas que comprometem a saúde. Como dever ético de ofício, é nossa função contribuir para a formação continuada de nossos profissionais, bem como comunicar o que há de informação científica de qualidade para a população. Se estudos trouxerem novas evidências, estaremos vigilantes e prontos para mudar nossa posição. É importante salientar que esta é a Medicina que ensinamos, que tem como base as evidências científicas construídas com trabalho sério, pautada em conhecimentos auditados, revisados criticamente pelos pares antes de sua divulgação e que segue os preceitos éticos, voltados para a saúde humana e o bem estar social. Por este motivo, nos vemos no dever de denunciar a desinformação veiculada por todos aqueles que protagonizam a defesa de medidas desastrosas para a saúde coletiva, a exemplo do movimento anti-vacinas e do uso de medicamentos para terapêutica precoce Covid-19, sem a validação científica e clínica para sua prescrição. Na busca pela fama e benefícios individuais, estes profissionais do caos preferem se dirigir diretamente ao público geral, único caminho que oferece algum acolhimento às suas teses infundadas. Repudiamos todos aqueles que mencionam seu vínculo passado com a Escola Paulista de Medicina/Unifesp para credenciar a defesa de hipóteses não comprovadas pela metodologia e que não traduzem as diretrizes da comunidade científica, mas apenas suas opiniões pessoais. Continuaremos no caminho da Ética, da Ciência, da Saúde e do Bem Estar Social. _____________________________________________________________________________

* Assinam a nota 20 Professores Titulares da Faculdade Paulista de Medicina e 36 outros Professores dos quadros da respeitada instituição da UNIFESP.

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