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O político e o partidário

Dizia Aristóteles que o homem é animal essencialmente politico. Deve-se entender essa percepção do filósofo grego como a síntese de condições de que só o ser humano dispõe, sobretudo a dependência absoluta de relações sociais características. Membro de um coletivo mais amplo, a sociedade, o homem teria, então, profundo senso de solidariedade e responsabilidade. A solidariedade tornaria mais fácil entender o outro e convencer-se de que só há homem porque há sociedade e só há sociedade porque o homem é capaz de construí-la. Para o bem ou para o mal, mas só ele tem consciência disso. Ou seja, dependemos uns dos outros, ainda mais quando nos cerca e condiciona nosso comportamento a especialização crescente de interesses e funções. A responsabilidade decorre da intenção (que nem todos revelam) de manter o equilíbrio em nossas relações - interpessoais, sociais e planetárias. Dizem os mais modernos que a Terra é o lar de todos os terráqueos. Quando falta a grande parte da sociedade humana de nossos dias a adequada compreensão da realidade, ocorrem fenômenos como o que abala a população do Rio Grande do Sul e comove todos os brasileiros. Não faltaram advertências, antes que o rio Guaíba desse mostra da insanidade e da irresponsabilidade dos governantes. Em especial os do próprio Estado sulino, eis que os especialistas puseram em suas mãos estudos criteriosos e preocupados com o futuro daquele estado. Não era bem isso o que eu me propus comentar, mas é impossível remover de nosso horizonte visual a tragédia que todos comentam. Na verdade, gostaria de mostrar reserva quanto à pretensão de impedir que políticos - é assim que estão em todo o noticiário - serão impedidos de ocupar postos políticos na administração de órgãos da administração pública. Uma providência que Aristóteles recusaria, como se um sacerdote ficasse proibido de exercer suas funções religiosas. Que e proíba a interferência partidária na condução dos negócios públicos, nada há de mais. Negar ao ser essencialmente político o exercício de atividades diretamente ligadas a essa característica não tem qualquer cabimento. É o viés partidário que compromete a atuação dos políticos, não o conteúdo gregário e associativo que se encontra arraigado e faz dele um ser humano. Não devemos olhar para as exceções, muitas delas negando até a condição humana de que é detentora a maioria dos integrantes das sociedades. Todas as sociedades.

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