O patriotismo de Arthur Reis

O ex-governador amazonense Arthur César Ferreira Reis terá sido o mais aferrado defensor da soberania do País. Conhecedor profundo da História da Amazônia, professor da Fundação Getúlio Vargas(Rio), no anos 1950 participou ativamente das lutas em defesa da região em que nasceu. A ele se deve a denúncia do que chamou a cobiça internacional. Poderosas nações estrangeiras estariam interessadas em manter sob seu controle a imensurada riqueza com que a natureza dotou este pedaço de terra só depois de 1822 integrada ao Brasil. Nem por ser conservador assumido, Arthur Reis resvalou pelo entreguismo que anima boa parte dos auproclamados patriotas de hoje. Ao contrário, e pelo inegável amor que tinha à terra e o saber de que dispunha sobre a potencialidade natural da Amazônia, ele foi dos primeiros superintendentes da então SPVEA - Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia. Mais tarde, governou o Estado do Amazonas, onde ao mesmo tempo em que combatia a corrupção real ou inventada, num certo sentido protegia os progressistas que divergiam de seu conservadorismo. Era um liberal como todos pensam que são os liberais inteligentes e esclarecidos. Estudioso das ciências sociais, sendo que a História - mãe de todas elas - era sua praia favorita, fosse vivo, certamente daria ouvidos ao que têm a dizer os defensores do ambiente sobre os problemas atuais. O tempo não passaria para ele como borracha que apaga o cenário local e mundial, em todas as suas nuances e dimensões. Nem negaria o fenômeno da globalização (que ele talvez preferisse chamar mundialização) e os efeitos desse fenômeno sobre os países e as relações internacionais. Menos ainda permitiria que seu Estado recebesse a visita de representantes estrangeiros com a reserva de pífia e quase anônima participação dele nos debates e na condução das gestões. Pergunte-se aos amazonenses que conheceram e se aproximaram de Arthur Reis o que ele diria das agressões contra o ambiente, das atenções que todo devemos dar à globalização e das intenções e denúncias dos patriotas de hoje.

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