O passeio do Presidente

O exercício da Presidência da República, a despeito do que tem dito o ex-capitão Jair Bolsonaro, para ele tem sido um passeio. Sem precisar, sequer, controlar a boca ou manifestar a mínima consideração para com os outros poderes, o Chefe do Poder Executivo vai fazendo aquilo que se propôs. Mesmo do Congresso Nacional, onde os apressados veem focos de contrariedade, não vêm mais do que o apoio às antirreformas propostas pelo Executivo. Assim, a menor atenção que se dê às supostas resistências não passa de tímidas reclamações. Ainda assim, nenhuma delas pondo em xeque as intenções presidenciais ou o núcleo central dos projetos por ele encaminhados à apreciação do Legislativo. Há, na verdade, absoluta coincidência entre o que pede o governo e percebem Câmara e Senado. A suposta resistência refere-se, então, à omissão do Executivo, de certa forma deixando o barco correr sem sua interferência direta no processo. Em boa parte, pela incapacidade de liderar e mobilizar as bancadas de sua base de apoio. Depois, porque conhece melhor que todos quais as verdadeiras intenções da maioria dos deputados e senadores. Por que arriscar, se a aprovação das antirrereformas são favas contadas? Com a vantagem de atribuir toda a responsabilidade para deputados e senadores.

É, portanto, um passeio a experiência governamental de Jair Messias Bolsonaro.

Não é só esse, porém, o passeio do Presidente. Sua ida aos Estados Unidos da América do Norte, com o timbre de uma visita pessoal e afetiva, levou-o e sua comitiva, à casa em que mora seu ídolo Donald Trump. O lugar, por si só, símbolo dos sentimentos que aproximam os dois mandatários. Amigos se visitam em suas respectivas residências, não nas Casas onde são tomadas as decisões.

Pode até ser que, nos intervalos da conversa privada mantida entre eles, eventualmente sejam assinados documentos meramente protocolares. Afinal, é preciso dar a impressão de que os interesses dos povos de ambos os países estão sendo tratados. Nem se sabe se todos os passos dos dois presidentes foram testemunhados pelos jornalistas que acompanharam o Presidente da República Federativa do Brasil.

Há quem especule estar em curso uma ofensiva contra nossa vizinha Venezuela. As tratativas seriam o objetivo maior dessa excursão de Bolsonaro. Segundo ainda esses mesmos analistas, a Trump muito agradaria substituir suas forças militares por soldados brasileiros, em uma eventual invasão do país (mal)governado por Maduro. Derramar o sangue dos outros sempre é preferível a derramar o nosso próprio sangue. Trump sabe das coisas.

Se há veracidade na hipótese, só no futuro está a resposta.

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