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O Papa e a comunicação

A eleição de Leão XIV renovou as esperanças no avanço da Igreja, que com o Papa Francisco pareceu encaminhar-se para mais perto da história de Jesus. A partilha, ao invés da usura e da avareza; o amor, ao contrário do ódio; a paz, em oposição aos esforços de guerra; o sentimento humano sobrepondo-se ao instinto próprio de todos os animais. Inclusive os ditos humanos, com a diferença de que nestes existe uma instância chamada consciência. Graças a esta, e ao livre arbítrio de que os humanos (quantos deles ainda sobrevivem às atrocidades contemporâneas?) são portadores, sentia-se em Francisco o desejo e o propósito de contribuir para a construção de futuro menos indigno para a espécie. A assunção do Papado trouxe com o cardeal sul-americano a experiência de quem vivenciou dias rotineiros na vida dos mais pobres, especialmente no Peru, como em outros países da América Latina. Substanciais mudanças operadas durante o período em que Francisco ocupou o Vaticano dariam sequência à profunda alteração que o franciscano introduzira na Igreja. O papa agostiniano poderia, assim, concretizar o que o fundador de sua ordem proclamou e muitos dos nossos contemporâneos não se fartam de mencionar, sem que consigam ir além da palavra dita. Quanto mais se a diz, menos se a pratica. Aos que me incensam, porque me corrompem, prefiro os que me criticam, porque me aperfeiçoam. Essa a sentença sintetiza a vocação democrática e amorável de Santo Agostinho. Talvez louvado nesse inspirado conceito e atento ao conselho do primeiro deles, o agostiniano Leão XIV volta-se para os processos de comunicação social e mobiliza a sociedade católica, mundo a fora, para defender teses que antes a Teologia da Libertação propôs e defendeu. O uso da palavra para transmitir, não ocultar ou enviesar, sentimentos dirigidos à crescente libertação dos indivíduos e dos povos; das nações e dos continentes - da humanidade, enfim. Saúdem-se, portanto, todos os movimentos e setores da Igreja empenhados em tornar realidade o Mundo por que passou, em peregrinação permanente, o andarilho da Galileia! É certo que a eclosão de movimentos louvados nas piores experiências humanas em expansão torna mais difícil a tarefa do cardeal nascido nos Estados Unidos da América do Norte. Sua vida entre os mais pobres, em nação que perdeu milhões de seus habitantes originais à força dos interesses dos que se julgam senhores do Mundo faz dele talvez a pessoa mais autorizada e capaz de vencer tão poderosos obstáculos.

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