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O mau cheiro da economia

No mínimo a 10ª economia do Mundo, o Brasil ostenta posição vergonhosa no índice de desenvolvimento humano (IDH). Essa é informação assaz divulgada por órgão da Organização das Nações Unidas (ONU). Não é porque se deixa desmoralizar amiúde que devemos desdenhar das informações, levantamentos, estudos e relatórios publicados pela sucessora da Liga das Nações. Se é verdade que lhe faltem meios (políticos, sobretudo) para dar cumprimento a decisões do seu Conselho de Segurança, rara é a rejeição dos diagnósticos produzidos por suas equipe técnicas, mundo afora. Não se sabe ter alguma vez sido desautorizada informação do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, o PNUD. É dele a constatação de ter o Brasil perdido um ponto em sua posição: do 78º lugar, no ranque de 189 países, ele agora ocupa a 79° posição. Se alguns ainda não sabem não será demais esclarecer: o IDH leva em consideração variáveis ligadas à educação, à saúde e à expectativa de vida da população. Todas elas de alguma forma relacionadas à distribuição da riqueza nacional, de que dá conta o Índice de Gini. Sendo assim, países mais pobres podem ter IDH maior que o de países ricos, eis que a acumulação e a distribuição da riqueza influem diretamente no IDH. Nem todos veem iniquidade na forma como as elites brasileiras se apropriam dos bens e riquezas - inclusive as naturais - ostentadas pelo País. Nosso cotidiano tem escrito com sangue esse processo, que muitos teimam em consolidar, apoiar ou simplesmente dele aproveitar-se. É isso o que nos diz a reiteração da política de extermínio posta em prática, seja contra os negros, os indígenas e os pobres em geral. O mínimo que se poderia esperar, vivêssemos tempos civilizados, seria a ocultação de que esse é fenômeno vergonhoso: décima economia do Mundo pelo que produzimos, somos a 79º pelo bem-estar que promovemos. Pior, a proclamação do conservadorismo se faz à revelia de que coisas e relações podres não se conservam. Ao contrário, tendem a exalar crescente mau cheiro.

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