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O lugar da guerra

O mínimo que se dirá destes tempos é serem eles belicosos. Se não referência ao conflito armado, essa marca indelével do desenvolvimento(?)capitalista, pelo menos no que toca a intolerância e a substituição das armas por outras formas de persuasão(?). Ao confronto de tropas e gabinetes distantes entre si, NA Ucrânia, soma-se a guerra da informação. Neste caso, valendo-se dos avanços tecnológicos que tornariam a vida melhor. Enquanto a guerra convencional mata seres humanos nos territórios escolhidos pelos beligerantes que vivem distantes, a outra guerra espalha-se mundo a fora. Para isso têm servido as redes sociais, onde tudo é permitido. Inclusive a imposição de verdades inexistentes e absolutamente despreocupadas com os efeitos nefastos que elas mesmas produzem. A letalidade dessa arma ainda está por estimar, em especial pelo desinteresse dos que as louvam com neutralidade impossível de admitir e lucros também carentes de cabal estimativa. Sabe-se, porém, de sua influência na conduta das pessoas, de que o terrorismo crescente e o índice do crescimento dos suicídios dão testemunho. Sobretudo os que interrompem a vida de jovens, expostos ao discurso de ódio que as tais redes sociais (antissociais é como as chamo normalmente) promovem e disseminam. A despeito do pouco que se conhece desses efeitos, trabalhos robustamente fundamentados e sustentados pelo conhecimento histórico dizem que é mais do que passada a hora de intervir nesse processo deletério, em si mesmo comprometedor da saúde da democracia em todos os continentes. Refiro-me, em especial, à obra A virada testemunhal e decolonial do saber histórico (Editora UNICAMP, 2022), do historiador e professor (UNICAMP) Márcio Seligmann-Silva. Nela podem ser encontradas muitas pistas para compreender os valores, as condutas e os processos instalados em muitos países, em todos os continentes. Ao massacres marcante da violência em escala mundial, que teve na Armênia sua prática inaugural no início do sec. XX, são acrescentados relato e análise de outros genocídios, inclusive na Alemanha nazista e em Ruanda. A obra de Márcio Seligmann-Silva, por sua profundidade e atualidade, deve ser lida por quantos se interessam pela construção de um mundo melhor.

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