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O limão e a limonada deLula

As mais recentes derrotas do governo (e do povo brasileiro) no Congresso, se estão longe de pôr fim à pretensão golpista, também podem determinar nova orientação ao governo Lula. A desaprovação de Jorge Messias e a aprovação do PL Passa o Pano têm a pior inspiração possível, pelo que trazem de ameaçadoras ao Estado Democrático de Direito. Nada mais, nada menos que peças integrantes de um processo que o 8 de janeiro de 2023 apenas interrompeu. Na verdade, permanece no cardápio que a direita quer impor aos brasileiros, o desejo de concluir a obra destruidora iniciada em 2019 e ainda não concluída. Não foi de Lula, o atual Presidente da República, a manifestação do desejo de fazer da Polícia Federal guarda pretoriana dele mesmo e de seus familiares. Nem foi algum dos seus correligionários quem disse, em português claro e irretocável, que os pobres devem permanecer pobres e os ricos tornar-se cada dia mais ricos. Foi também um ministro do governo anterior quem sugeriu fazer a boiada passar, enquanto os meios de comunicação estavam distraídos. A promessa de fazer da PF aparelho policial a serviço da família do Presidente foi por ele mesmo, o Presidente que antecedeu Lula, proferida. De Paulo Guedes, então ministro da Economia, foi a proposta de condenar à fome e à morte os pobres do País. Chama-se Ricardo Salles o ex-ministro depois eleito deputado federal, quem aconselhou tanger a boiada, sob o olhar indiferente de certo tipo de mídia. Mais tarde, a comprovação do caos em processo de construção desembocou nos atos de 8 de janeiro de 2023. Daí em diante, muito foi acrescentado ao elenco de crimes cometidos por lideranças e servos do golpe. O funcionamento de um escritório do crime e o envolvimento do órgão máximo de segurança e informação da república, o chamado escândalo da Previdência e, mais recente, a grande bandalheira do banco Master, não são apenas ilustrações esclarecedoras das verdadeiras intenções e objetivos expostos naquele 22 de abril de 2019. Representam, na realidade, alguns dos atos que, reiterados e espalhados por todos os setores do aparelho governamental, determinariam a devolução do Brasil à condição prevalecente no período mais trágico de nossa história- 1964-1985. Assim, sendo evangélico que não cultiva nem segue o terror, Jorge Messias pode ser chamado para ocupar o Ministério da Justiça. Sabendo-se, ainda que apenas parcialmente, o que a polícia Federal já sabe sobre David Alcolumbre, seus cúmplices e assemelhados, bastarão a Lei e a vontade dos que se sentem comprometidos com o Estado Democrático de Direito, para entupir a Papuda e outras penitenciárias. Se Messias quiser, Lula poderá pô-lo no posto. O limão que lhe foi servido, então, saberá a limonada de insuperável sabor.

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