O homem de Assis e seu discípulo


Mais uma vez o Papa Francisco contribui para o equacionamento e solução dos mais graves e persistentes problemas sociais do Planeta. A nova encíclica papal, Tutti fratelli, critica o que Francisco chama individualismo radical, ao mesmo tempo em que exorta a sociedade mundial à prática da verdadeira fraternidade. O novo documento da Igreja não destoa da orientação levada pelo cardeal Jorge Bergoglio para o Vaticano, nem é acidental o dia escolhido para vir a público. Nele, 4 de outubro, nasceu em 1266 o fundador dos franciscanos, na cidade italiana de Assis. Como de costume, o Papa não poupou palavras de condenação ao sistema econômico desdenhoso da justiça e ofensivo aos direitos que deveriam ser assegurados a todos os membros da comunidade a que se dá o nome de humanidade. Ricos e pobres, portanto, vivam onde viverem, professem a religião ou se filiem a ideologia por eles mesmos escolhidas. É nisso que se sustenta o apelo à eliminação de práticas e ideais subjacentes à polarização que leva ao desrespeito às diferenças e, em última instância, à guerra. Daí a lembrança da aproximação do primeiro Francisco, que os católicos qualificam de seráfico, com líderes religiosos orientais, quando as Cruzadas atraiam e reuniam correligionários envolvidos em guerras ditas santas. Não fica nisso o libelo papal, diante da classificação de dogma neoliberal atribuída ao sistema econômico vigente. Novamente Francisco homenageia o Brasil, ao lembrar um dos mais festejados e amados poetas nacionais. Para o Papa também, a vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro na vida. O poetinha (como o chamavam os parceiros mais próximos) Vinícius de Morais – e os brasileiros que não fustigam a vida, nem destroem a arte, agradecem.

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