O futuro que chega logo

Mais uma vez, a Argentina sai na frente, em relação a nós. Faz dias, parte da população argentina foi às ruas, manifestar-se contra a apropriação, por parte de grupos privados, da água que abastece as cidades daquele país vizinho. Problema que também os brasileiros enfrentamos, seja quanto ao abastecimento de água, seja quanto à transformação de bens com que a natureza dotou nosso território. Para isso sucessivos governos têm promovido políticas públicas que tornam bens públicos patrimônio posto a serviço do enriquecimento de uns poucos grupos. Disso tratam os programas de privatização, não mais que a transferência da riqueza natural de que tanto nos gabamos, ao mesmo tempo em que nada - ou pouco - fazemos para defendê-la. Assim ocorre com a energia, não sendo despropósito imaginar o dia em que a administração do oxigênio passará às mãos do setor privado. Os que ostentarem pulmões mais sadios certamente pagarão mais que os outros, se é que os mais necessitados não serão forçados a pagar preços exorbitantes. Nesse mesmo tempo que se anuncia, se não for alterado o rumo das coisas, teremos acesso aos elevadores dos edifícios somente após paga a tarifa, afinal o elevador é uma espécie de metrô vertical. Quando se tratar de elevador instalado em edifício onde funcione algum órgão público, podem apostar que a administração desse tipo de transporte terá sido transferida para alguma empresa, como a Precisa, por exemplo. Pagarão mais os que desejarem chegar à cobertura, menos e proporcionalmente os que forem sendo deixados nos sucessivos pisos. Não sei o que será do cardíaco que não dispuser de dinheiro para pagar a viagem de ida e volta. Ou lhe será concedido o direito de, mediante atestado do cardiologista visitado, ser dispensado do pagamento da viagem de volta?

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