O futuro está à frente

Faz menos de um ano, registrava-se o primeiro caso de covid-19 no Brasil. Enquanto o governo brasileiro deu de ombros para o problema e desdenhou dos riscos a que estava exposta a população, abriu-se o campo a toda sorte de torpeza. Quase não há qualquer dúvida a respeito de o Brasil oficial ter sido o mais negligente de todos os países, relativamente à percepção do fenômeno. Levada na molecagem e na pilhéria pela mais alta autoridade do País, a pandemia teve acelerada sua ação mortífera, além de ensejar o desmascaramento de lideranças políticas e empresariais. Não raro, em trágica parceria. Desta, a expectativa tinha os olhos postos às vezes nos dividendos políticos, às vezes nos balanços, frequentemente no acúmulo de ambos. Medidas preventivas, hostis à recomendação das autoridades da Saúde, deixaram de ser oportunamente postas em prática. Isso tem muito a ver com a morte de mais de 220 mil pessoas e responde pela transformação de Manaus na capital mundial da pandemia. A despeito da solércia e do furor com que um dos melhores sistemas de saúde pública do Mundo, o SUS, sofre o ataque movido pela voracidade do setor privado, é dos profissionais a ele integrados que vem o melhor combate à covid-19. Curioso, flertando com a criminalidade, a cobertura dada pelas autoridades aos movimentos liderados pelos que valorizam o lucro e desdenham da vida, em especial a vida alheia. Todas essas reações explicam o caminho que nos colocou na terceira posição dentre os países em que há maior número de mortos pelo vírus. Mais intrigante que curioso, porém, é certo teor de negativismo, revelado por defensores e produtores da Ciência tão hostilizada pelos ignorantes. Refiro-me, particularmente, à descrença inicial na possibilidade de ser criada a vacina contra o terrível mal. Tudo porque, olhos postos somente no retrovisor (oxalá tenha sido apenas isso), até especialistas acreditados esqueceram de avaliar com critério os avanços da Ciência, mesmo tendo alguns deles dado importante contribuição para esse progresso. Menos de dez, no mínimo cinco anos não bastariam para chegar à vacina. Milhões de pessoas, mundo afora, já se submeteram à imunização com uma da quase meia dúzia de imunizantes inventados. Nem é preciso lembrar que dezenas de projetos com igual objetivo estão em andamento, em quase todos os continentes. Os laboratórios, em várias partes do mundo, foram buscar só eles sabem onde, motivação para em período de tempo tão absurdamente curto, como alegado por cientistas e empresários, produto que diziam impossível de produzir em menos de cinco anos. Ou apenas uns e outros – cientistas e empresários – ampliaram o coro dos que veem nas grandes catástrofes e na guerra excelente oportunidade de ganhar dinheiro? Esta é uma pergunta que não pode ficar sem resposta.

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