O futuro da SUFRAMA

Desdenho dos salamaleques costumeiros aos que assumem cargos públicos de relevo, tanto quanto tento compreender os interesses que movem os incensadores de sempre e de todos - desde que lhes acenem com alguma benesse. Limito-me a comentar o lido a respeito do primeiro pronunciamento do general Agacir Polsin, em seu discurso de posse, como transcrito nas páginas dos órgãos de comunicação. Acho difícil o novo Superintendente obter do poder central o que de mais necessário e positivo se poderia fazer em benefício da região, envolvendo o órgão - a restituição da autonomia própria das autarquias. Se vivemos numa democracia claudicante, temos uma superintendência autárquica que não o é, se não ilusoriamente, Basta lembrar do confisco usual pelos cofres federais dos valores arrecadados pela prestação de serviços da SUFRAMA. Constituem dinheirama capaz de melhorar a eficiência operacional do órgão.

Em todo caso, e para argumentar, admita-se ser conquistado pelo general Agacir espaço suficiente para decidir segundo os interesses da região, que minha boa-vontade concede ser também interessante à nação. Algo como relembrar slogan dos anos 1960: a Amazônia também é Brasil. Sei, o processo de globalização e os interesses nesta embutidos forçam olhar as coisas sob novas perspectivas. Isso, porém, não elimina a importância da Amazõnia - também sob o ponto de vista da globalização, pelo menos pelas variáveis ambientais envolvidas. Nem nos dispensa do exercício da criatividade. Neste particular aspecto, vem-me à mente três outras menções que os jornais puseram na boca do general-superintendente, e acredito que ele as disse. Uma refere-se à diversificação; outra à operação efetiva do Centro de Biotecnologia da Amazônia, o infelicitado CBA. A terceira diz respeito à interiorização das atividades da SUFRAMA. Vistos em conjunto, esses objetivos acabam por apresentar alto grau de correlação e intimidade, como tentarei demonstrar.

Comecemos pela interiorização. Sabe-se que um governador, José Bernardino Lindoso fez tímida tentativa de levar ao interior do esvaziado território amazonense os resultados -, parte dos lucros das empresas, sejamos claros - alcançados até ali, 1982. Logo as forças de sustentação política da SUFRAMA, a 117ª experiência vendida aos amazonenses como uma novidade no mundo, puseram termo ao sonho do professor de Direito. Àquela altura, facilitar a radicação do interiorano na terra onde nasceu reduziria a oferta de mão de obra e o fluxo migratório para a capital. Hoje, é significativa a redução de postos nas unidades produtivas automatizadas em ritmo crescente.

O estímulo à permanência no interior teria muito a ver com a diversificação pretendida. Desde que a prioridade fosse dada à exploração racional dos recursos naturais de que nossa natureza é pródiga. Com a vantagem de avançar, em relação ao que o professor de saudosa memória Samuel Benchimol chamou de monocultura industrial. O aproveitamento dos produtos da natureza implicaria a presença organizada das populações interioranas em sistemática atividade coletora e extrativa, indispensável à produção de fármacos, óleos, cosméticos, fitoterápicos etc. Convém nesta passagem dar notícia a propósito de iniciativa timidamente conhecida em Manaus, qual seja a produção de artigos de perfumaria (águas de colônia, aromatizadores, velas etc.), empreendida por micro-empresa local, a Essencial Arte em Perfumaria Ltda. O último dos pés do novo projeto estaria no Centro de Biotecnologia da Amazônia, CBA. Nele deveriam ser desenvolvidos os serviços técnicos de que os pesquisadores e cientistas se incumbiriam.

Esperem-se objeções dos que pouco se interessam pela defesa da natureza e os que não os têm a animar qualquer propósito minimamente voltado para as condições de vida das populações. Esse, porém, é assunto para mais tarde, se houver alguém interessado em conhecer a iniciativa da Essencial e os fundamentos característicos de sua criação e funcionamento. E outras iniciativas, que espero ainda tenham ânimo para serem levadas à frente.

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