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O espólio

Todos sabem (e os que não sabem podem aprender) da construção de um muro, em Berlim. Muitos conhecem as justificativas para separar em dois pedaços a capital alemã, depois da Segunda Grande Guerra. Menos, ainda, são capazes de entender porque famílias foram separadas, depois que a então União Soviética e os Estados Unidos da América do Norte trataram de dividir seus troféus de guerra. Depois disso, a corrida armamentista criou o clima adequado aos lucros do complexo industrial-militar que um dos ex-comandantes das tropas norte-americanas denunciou. Mesmo sem algum russo ter feito igual confissão, o general Dwight Eisenhower, depois feito Presidente do império em ascensão, não fez rodeios para dize-lo. Foi sobretudo para conquistar o mundo e expandir seu controle para outras nações, mundo a fora, que a URSS e o outro projeto imperial conviveram durante quase 4 décadas. Instaurava-se, ali, o que a História registra como guerra fria. Desinteressadas em comprometer mais de seus próprios conterrâneos em novos conflitos internacionais, ambas evitaram o confronto direto, melhor ainda se pudessem lucrar muito mais. Mesmo se para isso tivessem que promover conflitos entre irmãos, naqueles países de que se consideravam donos. Os satélites, como se dizia desses países, nunca deixaram de ser bons compradores de armas. Estados Unidos da América do Norte e Rússia rejuntam-se, agora, para decidir o que fazer da Ucrânia. À revelia da Europa e, pior ainda, da Ucrânia. Com o que acrescentam ao caráter positivo da expressão palhaço (portador de alegria e esperança) o conceito depreciativo: joguete das vontades, interesses e apetites de terceiros. Quem viver verá Yalta, sem Roosevelt, Stalin e Churchill

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