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O Direito não é à direita

Muito há o que apurar, até que o atentado sofrido pelo atual hóspede da Papudinha seja cabal e definitivamente esclarecido. Não obstante, já se anuncia a repetição da cena ocorrida em Juiz de Fora, em 2022. Anúncio cuja origem não deixa dúvida quanto à probabilidade de repetição do fato, além de proclamado por quem tem pleno conhecimento das circunstâncias ainda não suficientemente explicadas do fato anterior. Proximidade do anunciante e precedentes que envolvem outras personalidades deveriam levar as autoridades policiais e judiciárias a reabrir as investigações e buscar o final deslindamento do caso. No passado, autoridade bem postada na hierarquia do poder aventava com a hipótese de um atentado contra o então candidato, hoje condenado e mantido em uma penitenciária. O profeta daquele momento, ironicamente, também ocupa um espaço destinado aos apenados pelo Poder Judiciário, após o devido processo legal. Agora, o profeta é mais que simples correligionário da vítima de Adélio Bispo. Há o mesmo sangue - o que faltou na facada de Juiz de Fora - do então candidato, correndo pelas artérias e veias do preditor. Parece demasiada ingenuidade desprezar as pistas que indicam o curso de um processo político nocivo à democracia e ofensivo ao direito dos cidadãos. Reabrir as investigações sobre a facada sem sangue, leva-las à completa explicação para a morte de outras pessoas de alguma forma relacionadas ao evento e outros fatos ocorridos como consequência dele, é o mínimo que deve ser feito. Sem medo, sem exageros, sem incorrer em erros (serão erros, mesmo?) que podem desmerecer o investigadores e julgadores. Em suma: fazer o que deve ser feito, se vivemos, de fato, num estado democrático de Direito.

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