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O dengue e Papai Noel

Sequer imagino como se comportam os negacionistas que preferem a morte de seus pacientes, parentes e amigos, diante da ameaça que a dengue representa, além dos vírus que parecem espalhar-se pelo Mundo. Os números tão ao gosto de gente desse tipo não deixam mentir. Várias cidades brasileiras apesentam cifras preocupantes, sendo que no caso específico do dengue já se sabe impossível dispor do número de doses de vacina capazes de oferecer a cobertura necessária. Mais um dado a integrar o flagrante desinteresse (quando não a mais franca hostilidade) pela saúde da população. Ninguém desconhece quanto os brasileiros sofreram a má influência de verdadeiro movimento necropolítico executado entre 2019 e 2022 no País. Os registros sanitários revelam a queda de confiança na imunização, de cujo êxito e benefícios daí resultantes todo o Mundo tomou conhecimento. Não obstante, do centro do poder político federal foi coordenada toda a tentativa de desmoralização do Programa Nacional de Imunização responsável pelo combate e controle de numerosas formas de infecção do organismo humano. Felizmente, mas ainda não em nível satisfatório, vêm sendo recuperados o prestígio e o respeito de toda a comunidade internacional e a reverência das autoridades de saúde desfrutado pelo Brasil, até o desastre político registrado em 2019. Nunca será demais lembrar que até oxigênio faltou nas unidades de saúde brasileiras, por deliberada ação ou bem planejada omissão dos órgãos e autoridades responsáveis pelo setor. Insisto em que a apuração das responsabilidades e a aplicação das penas correspondentes aos autores das práticas delituosas contra a saúde pública, em alguns casos não menos que homicídios dolosos, é exigência a ser feita por todos os cidadãos. Sobretudo no momento em que os vírus voltam a ameaçar a população, os pobres e moradores da periferia das cidades em primeiro lugar, torna-se indispensável mobilizar as forças políticas e os movimentos sociais. Mesmo que ações preventivas em relação ao dengue estejam em curso, ainda não está garantido o suprimento de todas as doses da vacina de que necessita a população vacinável do País. O apelo a que o setor privado concorra para as providências que o governo inicia não encontra experiência que a torne esperada - pelo menos quanto à urgência e no volume desejáveis. Pode-se esperar, inclusive, que os mais acerbos críticos do risco de aumentar a dívida pública sejam os mesmos a cobrar preço exorbitante, para colocar cada tostão de seu patrimônio no combate ao dengue e aos demais vírus que nos ameaçam. Quem acreditar em Papai Noel que o espere!

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