O cavalo que falta

O auxílio emergencial tornou menor o sofrimento de grande pare da população. Transformou-se em prancha para o surfe eleitoral de Bolsonaro. Sua ampliação e permanência, com outro nome, levará à multiplicação do gasto público. Tirar dinheiro da educação e dos precatórios foi a primeira ideia. A resistência dos setores atingidos, porém, não é a mesma. Na educação não é tão difícil mexer, como temos sabido. Já no rol dos beneficiários de precatórios estão proprietários de áreas desapropriadas, empresas ganhadoras de disputas judiciais contra o poder público, além de outros intocáveis. Tudo isso, quando a recuperação da dívida causada pela sonegação ou atraso no pagamento de tributos de natureza variada, bastaria para cobrir o deficit público. O puxa-daqui-encolhe-de-lá que entretém as autoridades e as faz confrontarem-se com frequência entre si sequer deixa ver uma cadeia interessante: manter o auxílio, menos que seja, levará ao crescimento do consumo, em especial de alimentação. Os preços - afinal, é assim que funciona a economia de mercado - subirão. A inflação de preços vem junto. A dívida pública se torna maior. Em suma: é da economia de mercado a espada de Dâmocles posta sobre o pescoço da população. A mais pobre, óbvio! Os outros, que têm os cordões nas mãos, sabem como puxa-los. Tudo como o diabo gosta! A leitura de artigo recente assinado pelo próprio Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto mostra como funciona o mercado. Falta alguém lembrar ao Presidente da República a história de Ricardo III, o que disse, em meio à debandada meu reino por um cavalo.

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