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O bolso e a honra

Divirjo da maioria dos que se têm manifestado a respeito da supertaxação imposta pelo Presidente dos Estados Unidos da América do Norte às exportações brasileiras. Uns, aparentando cautela, reincidem nas práticas abrangidas pelo termo quase sempre mal usado - pragmatismo. Outros, simplesmente reiterando posições que não levam em conta as noções de soberania nacional e patriotismo. De um lado e do outro, o que há é canina fidelidade aos interesses pessoais e grupais, acima de qualquer consideração que leve em conta os reais interesses – e, mais que eles, as necessidades – da maioria da população. Os que se jactam de ser patriotas são os mesmos que reverenciam e buscam abrigo em bandeiras estranhas à nossa história. Seus próprios interesses, às vezes incapazes de estender-se para fora de seu ambiente familiar, tornam-nos infensos às dificuldades para as quais eles mesmos concorrem, enfrentadas pelos que, hipocritamente chamados semelhantes, lutam pela sobrevivência digna. Dignidade, portanto, é conceito ausente no debate, sabendo-se até de que para muitos desses falsos patriotas o órgão do corpo humano onde a dor é maior sempre será o bolso. Assim, o pragmatismo e a cautela presented no discurso desses desatentos analistas não são mais que expedientes usados para violentar a sociedade brasileira, reduzir o prestígio alcançado pelo País no cenário internacional e impedir a redução da desigualdade com que se comprazem e tratam de aprofundar. Dizer que são tímidas as reações, em especial das entidades e grupos ligados à defesa dos privilégios (gordos salários, lucros escandalosos, isenções e favores ficais e financeiros de toda espécie etc.), é elogiar tal conduta. Se fosse por eles usada a audácia e a voracidade com que se aproximam do poder e dos cofres de onde jorra a dinheirama paga pelos que trabalham, certamente os Donald Trump e seus cúmplices não avançariam tanto e com tamanho apetite contra as nações. Alguns dos pretensos analistas, em número que a má fé de muitos impede esperar seja crescente e permanente, admitem estar o senhor do império decadente valendo-se da cumplicidade de estrangeiros, na sórdida aventura de evitar a ruína iminente. Com irmãos de (mau)ideário em várias nações (de que Ucrânia, Hungria, Israel e Brasil podem ser dadas como exemplo), Trump não vê dificuldade em pretextar apoiá-los, de olhos postos na emergência do BRICS como baluarte de resistência aos seus objetivos como empresário.  Há quem preveja perdas para a direita, brasileira e internacional, depois da audaciosa e inadmissível carta do Presidente dos Estados Unidos da América do Norte. Tal previsão parece excluir a hipótese de, mais uma vez, o bolso prevalecer sobre a honra dos que se apresentam como patriotas.

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