O azar de Bolsonaro

Realmente, Jair Messias Bolsonaro consegue fazer tudo o que quer e que depende do Legislativo, do Judiciário e dos quatro zeros à direita. Neste caso, acho que a expressão está invertida. Os quatro é que têm dele tudo o que zeros à direita representam e exigem. Refiro-me, porém, à frustração que o Presidente deve experimentar, quando vê as chamas devorarem os biomas brasileiros como nunca. Logo a ele, tão amante da natureza, há de ocorrer tragédia deste tamanho? Não é menor sua frustração por já terem morrido mais de 150 mil brasileiros, quantidade multiplicada por cinco pelo menos, se levarmos em conta quanto ele fixou que deveriam ser mortos. Uma lástima que logo em seu governo isso tenha acontecido. Sem se saber, ainda, quantos outros milhares de vidas serão perdidos, até que chegue a vacina. E o dólar - por que, tão voluntarioso, achou de entrar em uma escalada que ameaça chegar ao topo do Everest? Só muito azar explicaria a péssima imagem do Brasil percorrendo os continentes, como nau sem rumo. Logo durante seu reinado isso acha de acontecer? Como tudo está dando errado, se cada auxiliar procede de seu mais íntimo círculo - de amigos e de parentes? Tudo gente ilibada, cultora dos melhores valores familiares, dedicada a defender com unhas e dentes, ódio e vigor a soberania nacional. Não deve ser fácil todo dia ter uma surpresa: ora é o amigo do peito (ou parente, sabe-se lá...) apanhado com a boca na botija, quando não um maço de notas dificultando o caminhar entre os corredores do Congresso. Ou, para variar, o desgosto de merecer a ajuda financeira que lhe cai nas contas bancárias mais próximas, aos borbotões e por longo período. Só muito azar pode explicar tudo isso.

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