O arco-íris e seu pote

Começou a mais precoce corrida em direção ao Planalto. Desde o dia 1 de janeiro as eleições presidenciais de 2022 motivaram todo tipo de mobilização. Com muitos dos ingredientes surgidos na campanha de 2018, além de outros, conhecidos faz décadas. Pouco se pode esperar, em termos de redução do uso de mentiras. Menos, ainda, em relação às composições mais espúrias, gerando ambiente do mais flagrante surrealismo. Os que acreditam na bala jurando fidelidade a Jesus, autoproclamados incorruptíveis dando os braços a acusados de delinquência, fichas sujas consagrados posando de vestais. Nada tão igual ao passado.

A lista de candidatos multiplica-se, mesmo se ainda não se conhece sequer o quadro partidário composto até o dia da eleição. A legenda pela qual o Presidente Jair Bolsonaro pretende concorrer ainda está em formação. Prevê-se a migração, talvez em proporções jamais experimentadas, de políticos acostumados ao troca-troca partidário. Mas a simples posição do candidato atribui-lhe expressivo poder de fogo.

Mesmo dentro do território bolsonorista há nomes que se insinuam. Neste caso, avulta o do ex-juiz Sérgio Moro, que ganhou de presente um lugar no Ministério. Enquanto aguardaria o Ministro Celso de Mello, do STF, aposentar-se. Em 2018, a dúvida do então Juiz Federal estava entre permanecer no Poder Judiciário ou transferir-se de malas e cuias para o Executivo. Hoje a situação se inverte: o dilema é concorrer com seu padrinho em 2022 ou, antes disso, ter o direito de sentar no mais alto tribunal do País. De qualquer maneira, hoje ele desfruta de maior prestígio junto à população que a autoridade que o tem como auxiliar.

A comunidade dos ricos internacionais, pelo menos, vê em Luciano Huck uma promessa. Tanto, que alguns dos reunidos em Davos já o veem subindo a rampa do Planalto.

E a oposição, onde e como anda?

Por enquanto, politicamente à vontade, mas eleitoralmente indecisa. A tranquilidade política advém da desnecessidade de sua atuação. O próprio Presidente e sua entourage encarregam-se de opor-se ao governo. Basta um só pronunciamento de muitos dos auxiliares de Bolsonaro, para que os eleitores aumentem seu grau de desconfiança e insegurança. De arrependimento, quando não de indignação, é o sentimento que cresce todo dia. Assim, Moro e Huck são os primeiros beneficiários da queda do prestígio presidencial. Um, porque a opinião pública o coloca em vantagem comparativamente ao chefe. O outro, porque entra na arena somente agora. Se será o boi aguilhoado pelo toureiro ou o toureador lançado sobre a cerca, é cedo para saber.

Nas hostes da chamada esquerda, até declarados não-esquerdistas têm lugar. É o caso de Lula, que vai engrupindo muitos dos que resistem a aprender com as lições que a História tem ensinado. Mas ninguém é obrigado a aprender, embora só isso melhore o ambiente político e dê esperanças aos enganados de sempre.

1 visualização

Posts recentes

Ver tudo

Revolução à francesa

Ruas próximas á praça da Bastilha, em Paris, transformaram-se em campo de batalha na tarde do último sábado. A manifestação popular tentava impedir a imposição de lei de proteção das forças policiais

Pular o muro não dá

O apego ao cargo ou certo sentido insensato de missão acaba por desmantelar cérebros ou interromper a construção autobiográfica. Às vezes, uma justificando a outra, essas duas condições se juntam e im

Comunhão

Absolutamente inoportuno e infeliz, o anúncio de desobediência às determinações da ANVISA por João Doria denuncia o clima polarizado a que se tem submetido a nação. Difícil aplaudir a bravata do gover

Arquitetado e Produzido por WebDesk. Para mais informações acesse: wbdsk.com

Todos os Direitos Reservados | Propriedade Intelectual de José Seráfico.