O andamento da guerra


Surpreende a criatividade brasileira. Ela se assemelha à profundidade do poço em que nos metemos. Nunca se esgota. Já tivemos um imperador-menino, ditador feito depois Presidente pelo voto popular, Presidente auto-golpeado, Presidente eleito pelo voto de meia dúzia de eleitores, senador biônico até chegarmos ao parlamentarismo verde-oliva. Os preconceituosos chamam parlamentarismo branco. Não pela pureza que faz dessa não-cor a do pássaro da paz. A supremacia atribuída à raça que a ostenta responde pelo daltonismo com cores erradas.

Tanto fizemos, agora somos testemunhas de uma das reiteradas manifestações de nossa incontrolável e inesgotável criatividade. Se bem que, no caso presente, antecipada nas entrelinhas.

Sem qualquer juízo de valor, vê-se o País entregue ao governo de uma junta militar. As intenções – percebe-se com clareza - buscam preencher o vácuo de poder. Insano ou incompetente apenas, seja lá qual for o conceito que a equipe militar que o acompanha tenha de Jair Bolsonaro, houve quem lhe dissesse basta! Melhor que qualquer brasileiro, os generais sabem com quem estão lidando. Se não conhecessem o dia-dia do Presidente, não o teriam excluído de seu ambiente profissional. E o veriam hoje ostentar as mesmas estrelas que para a grande maioria dos que as ostentam é motivo de orgulho.

Mais que a militância populista de Bolsonaro, ele teve que prestar contas de suposto atentado em que talvez perdessem a vida tantos quantos satisfariam seu apetite – trinta mil, disse-o ele, e não apenas uma vez.

Certamente pesou no chega prá lá aplicado pelos generais Braga Netto, Ramos, Azevedo e Heleno a péssima imagem que o ex-colega fez questão de projetar no Mundo, deste país de 213 milhões de habitantes, posto entre os dez mais ricos do Planeta. Mais que tudo, pode-se crer, nas casernas não se há de pensar que a pátria é defendida se patriotas são escolhidos como os inimigos a combater. Nesse sentido e nessa direção seguia o Brasil, até um adversário – esse, sim, inimigo invisível -, nos desafiar.

Talvez o vírus traga consigo a força capaz de atender e cumprir a encomenda uma vez frustrada, mas jamais esquecida – trinta mil mortos. Podendo até chegar a mais.

Por que perder a oportunidade? Os generais deram a resposta. Embora deslembrando do colega que obteve a mesma quantidade de votos de seu colega de chapa. Pode ser que o afastamento de Jair Bolsonaro do proscênio seja uma das chamadas manobras de aproximação sucessiva, tão ao gosto dos que entendem do teatro de guerra. Se isso pode incluir proximidade maior ainda com a Constituição são outros quinhentos.

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