O AI-5 E A DEMOCRACIA NO PAÍS DO GOLPE

Lúcio Carril*


51 anos do AI-5 e a democracia não se tornou um valor para o povo brasileiro. Por um lado, o país tem sua história manchada por golpes e por outro, a desigualdade social extrema põe a questão democrática em segundo plano.

Passamos pelo Estado Novo, um regime que flertava com o nazifascismo, sem construir autocrítica e menos de duas décadas depois entramos numa ditadura militar sangrenta, que contou com apoio de grandes empresários, mídia, igreja, judiciário e outros estamentos, e a resistência de poucos democratas.

A democracia não está na ordem do dia para quem luta para comer e criar seus filhos. A democracia, também, não tem valor para grupos econômicos e estatais que se locupletam em qualquer situação, mesmo que isso custe caro para a história do país. É esta a realidade que levou ao mais novo golpe, o de 2016, e a eleição de um candidato de extrema direita, irresponsável e de perfil fascista.

A crise econômica e a desigualdade abissal entre as classes sociais são partes da estratégia de governança da direita e de seus grupos endinheirados de apoio. Logo, não há expectativa de melhoria de vida para o povo durante sua gestão.

A luta pela democracia continua com a mesma dureza de sempre, enfrentando novas formas de autoritarismo e dominação.


* Lúcio Carril é sociólogo, pós graduado em Gestão e Políticas Públicas pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo.

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