Nuvens

Ainda não temos condições de avaliar as consequências dos confrontos registrados ontem em algumas capitais. O máximo que se pode dizer é sobre a gravidade da situação e do desequilíbrio das forças em confronto. Outra coisas de que não se pode duvidar é a chegada a um ponto em grande medida provocado pelo Presidente da República. Impossibilitado de governar, pela absoluta falta de competência para fazê-lo, Bolsonaro ocupa seu tempo em sucessivos encontros com seus fanáticos. E entrega boa fatia do poder aos militares que não o quiseram na caserna. Nesses encontros a um só tempo rotineiros e ofensivos à república, à democracia e ao estado de Direito, registra-se o agravamento da polarização instalada no País antes das eleições. Bolsonaro insiste, porém, em permanecer no palanque. E, com seu exemplo e a grosseria do seu verbo, insufla a desobediência de normas protetoras da saúde dos brasileiros, da república e do estado de Direito. Não renuncia às manifestações do autoritarismo que traz dentro de si, nem desautoriza o cometimento de atos lesivos às leis nacionais, desde a Maior delas, até normas aplicáveis à pandemia. Toda a sociedade sabe da proliferação de milícias e ao propósito de armar cada cidadão. A transformação do território nacional em imenso faroeste, virtual autorização para o restabelecimento da lei de Talião. As ofensas e o propósito cada vez mais claro de fazer do Supremo Tribunal Federal não mais que uma edícula do Palácio do Planalto e da Polícia Federal um serviço de proteção privada são apenas parte do projeto de poder em curso. O invocado artigo 142 da Constituição atribui às Forças Armadas, não sem certo exagero, o papel de proteção da Constituição e da soberania nacional. Além de exigir a solicitação de qualquer dos poderes, se a ordem pública e algum dos poderes publicanos estiver ameaçados. Ninguém mais que o Presidente e seus seguidores tem ameaçado tem ameaçado tais poderes, Caberia, então, aos Presidentes de ambos, talvez até coletivamente, solicitar a intervenção. Por que não o fazem? Eis uma pergunta cuja resposta precisa ser dada. As nuvens não parecem desenhar um céu de brigadeiro.

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