Nossas reservas

É comum a ignorância e a insensatez ocuparem todos os espaços, quando o ambiente é escurecido, seja lá pelo que for. Isso gera a impossibilidade até de se encontrar o caminho por onde seguirão nossos passos. Nada melhor que a mentira, nessas circunstâncias, para levar multidões assemelhadas ao rebanho para o matadouro. É esse o quadro a que se assiste no Brasil, depois de dois anos de apagão - mental, político, etc. A tal ponto se tem andado para trás, que uma só pessoa compromete toda a história de organização que um dia lhe deu abrigo, mandando-o embora para o olho da rua. As coisas pioram quando tradição surrealista faz do comandante legal o protagonista da mais vil campanha para destruir a casa que antes o abrigou. Não pode ser outra a intenção do Presidente da República, revelada na tentativa de desmoralizar as Forças Armadas. Já não se trata apenas de mencionar supostas reservas morais, eis que elas são artigo de luxo e raro em ambiente de feroz e voraz economia, como a que se tem no Brasil. Estou falando de civismo, compromisso de todos os habitantes, mais ainda dos que dirigem a nação. Ao menos a compreensão do papel das instituições e do aferrado apego à sua manutenção, à margem de interesses e propósitos de um governo, tendo este apenas como delegado da vontade da maioria. Transitório, portanto, à diferença do Estado, o ser permanente que a sociedade inventou para diferenciar-se da selva. Há outro tipo de reserva, que o General-ex-Ministro Carlos Alberto dos Santos Cruz parece encarnar, ilustrativo das virtudes costumeiras nos que olham a realidade fora do panelão que cozinha tantas promessas e esperanças. Na reserva, Santos Cruz enxerga o que outros de seus camaradas teimam em não ver. Alguém diria que tal percepção tem a ver com a decepção pessoal do militar. Outros tentarão mostrar - e não lhes faltarão razões - quanto há reservas melhores que os ocupantes das quatro linhas do campo. Quem aprecia o futebol entende bem disso.

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