No tempo dos museus

O autoritarismo tem seus alvos preferidos. Talvez o mais importante deles seja a História. Onde quer que as ditaduras se tenham instalado, obedientes à qual seja a ideologia e delas sendo prestativos servos, os autoritários abominam tudo quanto tenha sabor histórico. Igualmente, saber histórico, reconhecido ser a História a mãe da Vida. Felizmente, em meio à mediocridade que faz da obediência o antídoto contra a Ciência e a Humanidade, sempre sobreviverão os seres pensantes, como a endossar a hipótese tantas vezes desafiada de que o homem é uma espécie superior dos animais. Essa superioridade em alguns momentos posta em dúvida responde pelo avanço no conceito de Museu, por muitos ainda visto como depósito de velharias, coisas, fatos e imagens do passado. Aos que fogem a tão infamante e odioso olhar, porém, coube situar Museu e História como protagonistas e inspiradores de decisões e ações, estas sim, reveladoras da superioridade do homo sapiens. Daí ter a ONU decidido fazer deste 18 de Maio o Dia Internacional dos Museus. Porque, espalhados por todo o Mundo, criaram-se e foram abertos ao público inúmeros museus, tem aumentado o conhecimento dos povos a respeito de sua trajetória temporal. O desafio de conhecer-se a si mesmo, neste caso, alcança nível coletivo, tornando o museu, esteja onde estiver, fonte de conhecimento e sabedoria. Manaus, a despeito de esforços às vezes oficiais de apagar seu passado, não ficará à margem da programação desde ontem iniciada em todos os continentes. Neste ano marcado pela pandemia, de certo modo favorável aos desafetos da História, a Semana contará com interessante visitação, virtual ou presencial, como se poderá saber mais, em https://bit.Iy/33LGa30.

Se há sentinelas sempre dispostos a rechaçar a ignorância e fazerem-se faróis a iluminar os caminhos, melhor quartel para eles não haveria que os museus - e bibliotecas, fiéis aliados.

Cumprimentemos os criadores, apreciadores, defensores, dirigentes e trabalhadores de todos os museus. Eles são um grande contingente a cujos cuidados estão entregues a memória, o presente e o futuro dos povos.


3 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo

Na linha de tiro

Cresce a literatura sobre o infausto período histórico de que somos protagonistas e pacientes. Têm-se posto em questão fenômenos relacionados sobretudo à fragilização da democracia. Pouco a pouco, sen

Menu da babugem ou da xepa

Confesso minha dificuldade em atribuir algum adjetivo suficientemente justo para qualificar o desqualificado sinistro da Economia. Ele não é o único nesse governo a reunir desqualidades tão agressivas

Estreitam-se os caminhos

Os que propalam situar-se no centro ou na centro-direita do espectro político começam a perder as esperanças de constituir o que chamam terceira via. A expressão vem sendo usada para identificar os qu