Naturalidade


Leio nos jornais. Vejo e ouço na televisão. Recebo mensagens de confirmação do que meus olhos e ouvidos captaram no noticiário: na República Federativa do Brasil os cidadãos (conceito que eu pensava próprio ao regime republicano) classificam-se em duas categorias. Há os que merecem tratamento cordial, cúmplice, até; os outros, de quem a Fortuna se mostra arredia, o tratamento haverá de ser diferente. Como se isso estivesse escrito pelas e nas estrelas. Não foi o que os defendidos pelo proclamador dessa estranha república disseram, mas foi seu próprio pai-protetor quem deixou clara a revogação do regime republicano. Só não me surpreendi porque os tempos e seus antecedentes não deixam margem para esse tipo de reação. Que beira a ingenuidade. Com todas as letras, sílabas, palavras e sentimentos necessários à ênfase, mais as estrelas ostentadas nos ombros, o comandante da ROTA (Roteiro Organizado para Transformar Almas?) não poderia ser mais explícito. E autêntico - quem sabe? A força armada posta sob seu comando revelará sua sabedoria somente se tratar desigualmente as pessoas que pagam seus salários, mesmo se muitos desses se furtem ao pagamento. Porque essa é também prerrogativa dos cidadãos de primeira classe: pagarão se o desejarem, porque logo à frente haverá o perdão de dívida que não pode ser imposta aos de sua categoria. Quando ainda não tiverem encontrado um meio de legalizar esse privilégio. Sem dúvida, aos olhos e percepções dos seus iguais; algo natural, pois sem ele faltarão empregos para ocupar o tempo de ociosos que pesam sobre o orçamento público. Enquanto eles mesmos se aproveitam para amealhar alguns bilhões mais, porque assim o Universo foi feito, assim haverá de ser. Sempre, até que...

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