NÃO BASTA SÓ O ANO

Tem sido uma constante a pregação pela criação de novos valores e novas condutas, ao longo da História. Nenhum dos grandes revolucionários, mesmo os religiosos como Jesus, deixou de empenhar-se na busca do que se tem chamado um HOMEM NOVO. Talvez até essas lideranças tenham dado mais ênfase a essa necessidade. As revoluções modernas, beneficiadas pela disseminação mais rápida e abrangente da informação, deixam a impressão de que foi com elas que se iniciou esse processo civilizatório. Na verdade, passo a passo, em graus diferentes de abrangência e celeridade, vão-se alcançando níveis diferentes nas relações entre os humanos. Nem sempre, em direção ao futuro, se focadas as particularidades de cada fase. Ao final de mais amplos períodos, todavia, avaliação criteriosa e isenta (porque pedir imparcialidade seria tolice)constatará um passo mais à frente. Ninguém haverá de ignorar os avanços da Ciência e da tecnologia, graças ao qual muitas doenças foram erradicadas do Planeta; novos territórios foram expostos ao mundo, nem sempre despertando sadia vontade de conhecê-los e habitá-los. Saúdam-se, com justiça, as caravelas que chegaram ao que mais tarde se chamou NOVO MUNDO. Admitida a hipótese mais provável do encontro, não da descoberta, se haverá igualmente de reconhecer quanto as terras d'além-mar frequentavam o imaginário de povos antigos e dos que vieram depois, até chegar a modernidade. Chegar a esse mundo foi apenas o epílogo de um capítulo de uma utopia. Outras utopias foram vencidas, porque alcançadas. Porque para isso servem as utopias: para manter a sociedade humana entregue à tarefa de chegar àquele lugar que muitos dizem inalcançável e que outros - dentre os quais me incluo - sabem ser apenas o lugar ainda não alcançado. Não era de outra coisa que nos falava Miguel de Cervantes Saavedra, ao apresentar Alfonso Quijano, personagem imortal da literatura mundial. O trajeto em direção ao destino tem seu roteiro e seu mapa inscritos pelas letras da esperança. Com o cavaleiro injustamente tido por triste, o anúncio de que o mundo pode ser sempre melhor do que é.. Estamos nesta exata quinta-feira comemorando (sim até na tristeza é preciso comemorar)a passagem do infausto ano de 2020 para outro, dois anos exatos em que somos tentados a voltar à caverna. Não obstante, os que tratam da Ciência podem colocar-nos fora do risco de não assistir à chegada a novas utopias. Muito mais levar-nos à concepção de novos sonhos, exigência irrecusável da inteligência humana. Ciência e tecnologia, e políticas que as contemplem e favoreçam são tudo de que precisamos. Umas e outras, porém, não resultam senão dos conhecimentos e entendimentos que os homens produzirem. Sobre o mundo, as gentes que o povoam e as relações que entre si estabelecerem. Daí voltarmos ao ponto inicial: de que valerá rasgar a folhinha do calendário, se tudo nos impedir de gerar o HOMEM NOVO desde milênios reclamado?

De minha parte, sinto-me impelido a empurrar com as forças que ainda me restam, firme e determinado, este pedaço de mau tempo, ladeira abaixo! Que com ele se anunciem a contenção do vírus e os vermes que o cercam, festejam e glorificam. Que o sol não tenha vergonha de mostrar sua cara e iluminar as máscaras por todo o sempre ostentadas. Aí, sim, teremos a oportunidade de construir e conviver com o HOMEM NOVO!


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