Mr. Link, os amestrados e Urucu

Por menos que desejemos, voltar ao passado às vezes é tarefa que se impõe. Dela se torna impossível fugir. Ainda agora, a fúria privatista tenta entregar Urucu ao controle de grupos privados. Não importam os pesados e criteriosos investimentos da Petrobrás na área, nem a importante posição daquele campo de extração de óleo e gás, na economia do País e da região. O que o geólogo norte-americano Walter K. Link, no início da década dos 1960 aconselhou, vai rendendo frutos prejudiciais à Amazônia e ao seu povo. Graças a ele, poços perfurados em vários municípios do Amazonas foram fechados e abandonados, para que o óleo permanecesse intocado, à disposição dos que hoje põem seu olhar voraz nessa direção. Alguns desses poços estão cobertos com pesada laje de concreto, como pude constatar ao menos em um deles, o de Nova Olinda do Norte. Pois bem; os desmandos praticados na estatal de petróleo, cujas investigações se produziram e avançaram sempre à custa da perpetração de crimes ainda maiores, dão pretexto tantas vezes utilizado, para transferir da sociedade o controle de iniciativas e bens de indiscutível interesse coletivo. Há, não obstante, um silêncio no mínimo suspeito, cercando a questão, que fica restrita à firmeza com que os trabalhadores da própria Petrobrás defendem o patrimônio comum. Aos políticos, atuem no Senado, na Câmara dos Deputados, nas Assembleias Legislativas e nas Câmaras Municipais sequer ocorre de manifestarem sua rejeição a mais essa ameaça de saque contra a cidadania e - admita-se - nossa soberania. Alguns podem até achar que se trata de simples ignorância, hipótese que não pode ter o aplauso e a distância dos mais velhos. A História, dizia-o o grego Cícero e Tucídides o registrava, é a mestra da vida. Aprendamos sua lição, animais inteligentes (?) que somos.

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