MOVIMENTOS REVOLUCIONÁRIOS E GOLPES DE ESTADO NO BRASIL

Orlando SAMPAIO SILVA

PARTE I

BRASIL COLÔNIA:

Para divulgação e conhecimento, segue, abaixo, uma relação dos mais significativos movimentos revolucionários, resistências revolucionárias e golpes de estado concretizados ou tentados, em nosso país, desde o Brasil Colônia, passando pelo Império e penetrando pelo período republicano. Conforme a seguir:

– 1562: Revolta indígena contra a presença de jesuítas em São Paulo;

– 1556-1567: Revolta dos índios falantes de línguas tupí que viviam na costa atlântica entre São Paulo e Rio de Janeiro, liderados pela tribo dos Tupinambás e que se constituíram em uma confederação, da qual faziam parte, também, os índios Tupiniquins, os Goitacás, os Guaianases e os Aimorés. Esta grande frente indígena lutou contra colonizadores portugueses; esses indígenas se aliaram aos invasores franceses. Afinal, os portugueses venceram e expulsaram os franceses. Cunhambebe foi o principal chefe indígena nessa revolta. Esta guerra ficou conhecida como a CONFEDERAÇÃO DOS TOMOIOS;

– 1555-1570: Reação contra a invasão dos franceses no Rio de Janeiro – FRANÇA ANTÁRTICA;

– 1555-1673: Reação de índios contra colonizadores portugueses, na Bahia e no Espírito Santo. – GUERRA DOS AIMORÉS;

– 1586-1599: Reação de índios contra colonizadores portugueses, na Paraíba e no Rio Grande do Norte – GUERRA DOS “BÁRBAROS”;

– 1595: Recife(PE) é saqueada por expedição militar inglesa – SAQUE DE RECIFE;

- Séculos XVI e XVII: Entradas e Bandeiras (bandeirantes), desbravadoras, na busca de riquezas naturais, contribuíram para a ampliação do domínio territorial português e foram “caçadores” de índios para a escravidão;

- Séculos XVII e XVIII: Movimento armado contra escravos negros fugitivos e resistentes contra a opressão. O bandeirante Domingos Jorge Velho se destacou na repressão contra os quilombolas, e Zumbi foi um notável líder dos amotinados no Quilombo dos Palmares. Os quilombolas foram vencidos, em Pernambuco, na GUERRA DOS PALMARES;

- 1612: Resistência contra a invasão francesa, em São Luiz, MA, na chamada FRANÇA EQUINOCIAL;

- 1617-1621: Revolta e resistência dos índios Tupinambá contra o colonizador português, no Espírito Santo e na Bahia, no intitulado LEVANTE TUPINAMBÁ;

- 1630-1654: Invasão e permanência de holandeses em Pernambuco e grande parte do resto do Nordeste. Guerra entre colonizadores portugueses e holandeses, sendo que estes instalaram um vice-reinado com sede em Recife, tendo o nobre Maurício de Nassau sido Vice-Rei, aí. A história oficial se reporta a três integrantes do exército do colonizador português na luta de Portugal contra a Holanda, considerados heróis, que simbolizariam as principais contribuições étnicas na formação do povo brasileiro: o índio Felipe Camarão, o negro Henrique Dias e o branco nascido no Brasil André Vidal de Negreiros. O chefe da insurreição contra o domínio holandês, João Fernandes Vieira, era um senhor de engenhos filho de uma prostituta mestiça com um nobre português da Ilha da Madeira. Os portugueses na guerra venceram o exército holandês na Batalha de Guararapes. Antes de invadirem Recife e Olinda, os holandeses invadiram Salvador em 1624, aí permanecendo até o ano seguinte. A invasão de Recife e Olinda ocorreu em 1630 e os holandeses administraram esta sua colônia no Nordeste até1654. As batalhas de Guararapes se desenrolaram de 1648 a 1654, com a vitória final portuguesa. A história oficial, a história ensinada nas escolas brasileiras de níveis fundamental e médio omite um acontecimento importantíssimo, conforme a seguir. Cito Laurentino Gomes, in “Escravidão”, Vol. I: “Uma das transações imobiliárias mais fabulosas de todos os tempos foi celebrada em Haia, no dia 6 de agosto de 1661. De um lado da mesa de negociações, no papel de vendedor, sentava-se Johan de Witt. Era um dos dirigentes das Províncias Unidas, ambiciosa coligação de sete pequenas nações protestantes calvinistas – Holanda, Zelândia, Utrecht, Frísia, Groninga, Guéldria e Overissel – cujos membros entrariam para a história com o nome genérico de holandeses. Do outro lado, na condição de comprador, estava dom Henrique de Sousa Tavares, conde de Miranda do Corvo, governador de armas da cidade do Porto e embaixador da rainha-regente de Portugal, a espanhola Luísa de Gusmão, viúva do recém-falecido dom João IV. O objeto do negócio era o Nordeste Brasileiro. Pelos termos acordados, os holandeses devolveriam aos portugueses um território de aproximadamente um milhão de quilômetros quadrados, situado entre a margem esquerda do rio São Francisco e a divisa do Maranhão com o Piauí, incluindo os atuais estados de Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. Essa gigantesca área, duas vezes o tamanho da Espanha, tinha sido ocupada três décadas antes por uma expedição das Províncias Unidas composta de 67 navios equipados com 1.170 canhões e 7 mil homens armados. Naquela reunião em Haia, a Holanda vendia a Portugal um pedaço do Brasil que havia tomado dos próprios portugueses.” (pp. 351,2) Portugal pagou à Holanda nada menos do que “quatro milhões de cruzados” (dinheiro de Portugal), que correspondiam a “mais de um bilhão de dollars”. É essa a história surpreendente para muitos brasileiros de hoje. Portugal, apesar de Guararapes, comprou da Holanda o Nordeste Brasileiro e quase “quebrou”, pois seus cofres esvaziaram. À época, Portugal guerreava, na disputa de terras e do tráfico de escravos, contra a Holanda em diversas partes do Mundo. Notar que desta transação milionária assinada em Haia, o Brasil não participou. Foi um negócio tramado entre duas potências colonialistas, Portugal e Holanda. O confronto armado, em verdade, não foi uma guerra patriótica de brasileiros contra holandeses. Aliás, brasileiros, nesse tempo da história do Brasil, eram os índios, que estavam sendo escravizados por todos os colonizadores! Os que não eram índios, eram os ditos “luso-brasileiros” e os escravos de origem africana. O Brasil colônia fazia parte do Reino de Portugal e todos os que aqui nasciam eram portugueses... e os que nasciam no Nordeste, naqueles 24 anos de dominação holandesa, eram holandeses! Seria importante consultar os nossos irmãos nordestinos daquela época e dos nossos dias, sobre qual dos dois colonizadores eles preferiam e preferem! Qual teria sido mais útil a eles em sua condição de habitantes de uma região colonizada?! INSURREIÇÃO PERNAMBUCANA / BATALHAS DE GUARARAPES / FIM DO DOMÍNIO HOLANDÊS;

- 1641: Insurreição popular em São Paulo, a primeira manifestação nativista, porém, com a aclamação da liderança do bandeirante Amador Bueno. “REVOLTA DE AMADOR BUENO”;

- 1684-1685: Revolta liderada pelos comerciantes irmãos Beckman, no Maranhão, por discordâncias com a política econômica executada pela portuguesa Companhia do Comércio do Maranhão e Grão-Pará – REVOLTA DOS BECKMAN;

- 1686-1692: Revolta de índios contra o colonizador português, no Ceará e na Paraíba – CONFEDERAÇÃO DOS CARIRIS;

- Século XVIII: Lutas dos índios Mura contra o colonizador português e seus apoiadores – GUERRILHA DOS MURAS;

- 1700: Confrontos violentos entre bandeirantes e colonizadores portugueses, em São Paulo e Minas Gerais. GUERRA DOS EMBOABAS;

- 1710-1711: Conflitos envolvendo fazendeiros produtores de cana de açúcar e comerciantes. Em Pernambuco. GUERRA DOS MASCATES ;

- 1723-1728: Entrechoques violentos entre índios Manaus e luso-brasileiros. GUERRA DOS MANAUS;

- 1725-1744: Conflitos violentos entre índios Guaikurus e luso-brasileiros, em Mato Grosso (na área que atualmente é Mato G. do Sul). RESISTÊNCIA GUAICURÚ;

- 1751-1757: Luta armada de Espanha e Portugal contra jesuítas e índios Guarani, na República dos Guarani, em parte do RGS-Brasil e Paraguai. REPÚBLICA GUARANÍ - GUERRA GUARANÍ;

- 1789: Conspiração de nacionalistas (luso)brasileiros objetivando a independência do Brasil, em Minas Gerais. Os conspiradores empolgados pelas ideias iluministas, posicionaram-se contra o sistema de impostas adotado pela metrópole e sonhavam com a instauração de um sistema republicano em seu país independente. Eles foram traídos, denunciados, processados, presos e condenados. Alguns negaram a participação na sedição. Personagens importantes entre os conspiradores: Joaquim José da Silva Xavier – o Tiradentes (alferes), que foi condenado a morte, foi enforcado; foram também processados os poetas Cláudio Manoel da Costa (que morreu na prisão) e Tomás Antônio Gonzaga (o poeta de “Marília de Dirceu” e das “Cartas Chilenas”); o poeta Alvarenga Peixoto foi condenado ao degredo na África; também foram acusados: o poeta Silva Alvarenga, o padre José da Silva e Oliveira Rolim e outros. INCONFIDÊNCIA MINEIRA;

- 1798: Revolta pela independência e contra o sistema escravocrata, na Bahia. REVOLUÇÃO DOS ALFAIATES;

- 1809-1817: Invasão da Guiana Francesa por tropas da Coroa Portuguesa, que estava sediada no Brasil. As tropas eram formadas de portugueses e brasileiros(paraenses). Ocuparam Caiena. INVESÃO DA GUIANA FRANCESA.

Estes, registrados acima, foram os mais destacados “movimentos revolucionários” no Brasil Colônia.

(Continua)

“Jabuti”: É, no mínimo, preocupante a reação do governo Bolsonaro ante a existência de organizações anti-fascistas constituídas de funcionários públicos, entre os quais professores e policiais. Por que essa reação? Para o governo é perigoso ser contra o fascismo? Os anti-fascistas são pessoas perigosas ou suspeitas por serem anti-fascistas? Perigosas para quem? Eles são, sim, adversários do fascismo, dos fascistas! Essas pessoas não estavam acusando o governo, mas ele, através do Min. da Justiça, ao colocá-las sob suspeita, com medidas de segurança, está se precavendo, mesmo, está assumindo uma postura ideológica, está se sentindo acusado, está se defendendo? Pessoas do governo não percebem que, agindo contra os anti-fascistas, elas estão colocando o governo como suspeito? Considerando o que é o fascismo - um sistema ideológico totalitário de extrema-direita -, o esperado de governantes, em um regime democrático, é que eles incentivem e prestigiem os movimentos anti-fascistas! Nós vivemos em uma democracia! A democracia, apesar de seus defeitos, é, até o presente, o melhor sistema político engendrado pela sociedade humana!

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