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Morra o Estado! Viva o Estado!

Até poucos dias, os cofres públicos eram dados como vazios. Não havia dinheiro para nada. Desmontar a máquina pública seria o caminho a percorrer. Sem qualquer alternativa. O País não poderia perder a oportunidade de vencer, como num passe de mágica, todos os problemas acumulados. Desde 1500, quem sabe?! O cabo-de-guerra entre o Parlamento e o Executivo, por míseros 30 bilhões de reais produziu proclamações, agressões, grosserias de toda ordem. Coroou-se um novo rei da ordem mundial, um microorganismo capaz de desafiar os que se pensam mais fortes. Parece uma guerra, menos letal que tantas outras, certamente mais eficaz que as desejadas pelos que as estimulam na esperança de proveito próprio. Do nada, aparecem nos media cifras insuspeitadas, dinheiro providencial, buscado sabem onde? Nos cofres públicos, esses lugares onde a frequência dos contribuintes se registra na porta de entrada. Aos outros socorrem as portas de saída. Interferindo em todos os setores da vida nacional, às vezes chamado de histeria ou de pânico, o microorganismo coroado impõe regras e quarentena. As inteligências postas em quarentena por muito tempo logo se agitam e fazem ouvir o que ainda lhes resta de voz. Ainda que sujeitas à discrição com que sempre atuaram e atuam, porque oportunidades não podem ser perdidas. Aquela história de que não se perde cavalo que passa arreado. O Estado, alvo de gigantesca operação de desmonte, logo surge como o messias. É de lá que há de vir a dinheirama salvadora. Só isso assegurará a manutenção dos bons resultados para os que sempre ganharam. Os outros - ora, os outros! - que tratem de integrar as longas filas dos serviços públicos. E se contentem com o que restar da prodigalidade característica do tratamento dispensado ao lado "bom" da sociedade. Os media, mal conseguindo disfarçar sua adesão ao programa delenda status, fingem sensibilidade diante dos resultados que de antemão sabem quais pagarão. Promovem debates que deixam de fora a verdadeira razão de nossas dificuldades, a desigualdade. Estimulam declarações e sugestões que, passando ao largo do problema principal, repetem o favoritismo da banda na qual alinham seus interesses. Cúmulo do cinismo! Defendem a possibilidade de os bancos públicos, por eles tantas vezes combatidos, assumirem os ônus causados pelo coronavírus. O que ontem era dado como maléfico, repentinamente é ungido com a condição de anjo salvador. É deles que há de vir a tranquilidade para o setor produtivo, mesmo se a sobrevivência dos milhões de desempregados, subempregados e desocupados pelas mais variadas razões (doença, aposentadoria mal paga, demência, etc.) exige pelo menos uma ação que não seja demagógica, inconsequente, leviana, irresponsável - para dizer apenas o que fica fora do calão preferencial dos que mandam.

Morra o Estado! Viva o Estado! Tudo depende de a quem ele serve. E quando... Em hora de crise, os mais iguais sempre saem ganhando. Ou estou mentindo?

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