Menu da babugem ou da xepa

Confesso minha dificuldade em atribuir algum adjetivo suficientemente justo para qualificar o desqualificado sinistro da Economia. Ele não é o único nesse governo a reunir desqualidades tão agressivas à espécie humana. Ao que se saiba, porém, é exclusiva dele a detenção de título expedido por instituição prestigiada. Ele vem de lá de onde se espalha pelo mundo a ideia de que o mercado é capaz de resolver todos os problemas. Mesmo que acrescente problemas ainda maiores, em sociedade cada dia mais tornada desigual. Ninguém esperaria dele alguma inclinação a favorecer a maioria da população, diante do papel que desempenharia e desempenha na condução da economia brasileira. Não bastasse, preliminarmente, integrar uma equipe mantida sob as rédeas de quem é acusado de genocídio. Mas Paulo Guedes consegue superar-se a si mesmo, a cada nova aparição pública. Sua emersão se tem feito intermitente, porque à sombra é sempre mais fácil engendrar medidas destinadas a humilhar os humildes, premiar os ricos, bajular os poderosos – enfim, aprofundar as desigualdades e espalhar a desesperança. Ainda agora, ele institui o menu babugem ou cardápio-xepa. Recomenda que os restos de comida caídos das mesas fartas dos que beneficia matem a fome dos que ele desdenha, odeia e humilha. Sem esquecer a destinação sugerida para alimentos em vésperas de vencer o prazo de validade. Que a gentalha, como ele considera os pobres, coma a podridão que a voracidade dos acumuladores de riqueza material aprecia menos que a conta bancária! Mantida aqui ou, de preferência, em paraísos fiscais. Se o por todos os títulos sinistro da Economia não surpreende, pelo menos revela não ter limites sua ojeriza pelos pobres e o desdém devorado à sobrevivência quase heroica que marca o cotidiano da maioria dos brasileiros. Dizê-lo asqueroso ou abjeto será exercício de imensa generosidade.

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