Mentira reformadora

As leis trabalhistas foram alteradas sob a promessa de que estavam nela os empecilhos ao crescimento econômico. Os agentes econômicos seriam tolhidos na sua fúria investidora, e o País não teria como gerar empregos. O desemprego aumentou, ao invés de expandir-se. Não obstante, nova panaceia foi parida nos escalões oficiais. A chamada reforma previdenciária seria o instrumento adequado e capaz de recuperar as perdas econômicas, estimulando os agentes econômicos. O que se viu, antes mesmo de desembarcar aqui a pandemia, foi o crescimento da população economicamente ativa desempregada. Era preciso ir mais longe, no combate às conquistas duramente alcançadas pelos trabalhadores. Da escuridão reinante, surgiram dois fantasmas, ambos aptos a fazer mágicas destinadas a suprir os cofres (não se sabe ao certo se públicos ou privados) da dinheirama necessária aos investimentos. A primeira delas, a reforma tributária, sempre lembrada, nenhum vez em defesa do bolso de quem trabalha. Essa, porém, absolutamente afastada da função histórica que a caracteriza desde João-sem-terra. O papel das políticas tributárias, ao longo dos tempos, mais destaca a justiça como propósito central. Mais dos que têm mais, menos dos que menos têm - é a máxima para dizer da proporcionalidade da contribuição dos cidadãos e das empresas aos cofres públicos. Justiça, todavia, não é palavra assídua nas tratativas e negociações dos legisladores, muito menos nos agentes do Poder Executivo. Do Judiciário também não se vê simpatia pela Justiça, neste caso tributária ou não. O resultado é que ao blá-blá-blá não se acrescenta a velocidade com que as propostas sobre o assunto vão para as gavetas congressuais, e outras. Já mexer com os servidores públicos fica mais fácil. A carência na prestação dos serviços devidos à população ajuda a disseminar mentiras que justifiquem a redução do aparelho público, o desemprego de parcela dos servidores, a desconstituição de direitos há muito reivindicados e alcançados. Quando é o caso de avaliar profundamente as razões da

ineficiência dos serviços prestados à coletividade, optam as autoridades pelo corte raso. Nada que atinja a qualidade e a presteza do serviço público, antes a liquidação do que ainda resta funcionando.Enquanto o propósito for o de tornar menor o tamanho do Estado, não a implantação de um Estado de porte correspondente às suas responsabilidades, tudo não passará de enganação. Nesta, contudo, é que a mentira prospera. São tempos dela, como se tem visto.

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