Menos que farsa, tragédia

Mente mais perversa e torpe jamais imaginaria que um dia, num país tropical que se diz abençoado por Deus e bonito por natureza, participaríamos todos, desejando ou não, de um macabro enredo histórico. Há quem diga ser a repetição de algum fenômeno ocorrido no passado, não mais que uma farsa. A História só se repete como farsa, dizem eles. Mesmo os que concordam hão de encontrar no cotidiano brasileiro desta segunda década do século XXI situação incapaz de caber no imaginário mais trágico e funesto. Por descuido - ou sabe-se lá o quê - deixamos as cartas nas mãos dos que recusam sair da caverna e teimam em andar como o curupira, os pés (neste caso, as mentes, se elas existem) voltados para trás. Porque encontrem dificuldade para fazerem-se humanos, ou porque odeiam tudo quanto humano é, quem e os que dá/dão as cartas já as trazem marcadas, não apenas com os açoites de ontem, as cadeiras-de-dragão e o pau-de-arara, os tiros certeiros tanto e tão eficientemente usados contra os que pensam. Pior que tudo, às escâncaras, porque dispensadas as máscaras que poderiam poupar vidas e esperanças. Por isso, festejam-se as mortes e a quebra de recordes sucessivos, deixam-se asfixiar milhares por lhes negar oxigênio, desdenha-se da Ciência, cuja maior incapacidade refere-se à incompreensão do que percorre a mente - quase dizia humana - de indivíduos a que seria injusto atribuir a condição de humanos.

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