Meia mea culpa


Dou a mão à palmatória. Sempre pus em dúvida a excelência da democracia norte-americana. Tenho dificuldade em admitir ambiente propicio à vida democrática, quando o dinheiro dá as cartas. Comparo, agora, a conduta de alguns segmentos da sociedade americana e faço parcial mea culpa. A mesma sociedade que produz e exporta os serial-killers é a que impede e repele um atentado à Constituição. Instituições militares, judiciárias, policiais e políticas reagiram com vigor e impediram que o terrorista prestes a deixar a Casa Branca consumasse o estupro constitucional. Neste caso, se Trump tem um correspondente brasileiro, as forças armadas, o Poder Judiciário e as forças políticas de lá não os têm. Opuseram-se ao golpe tentado por Trump, desde o vice-Presidente Mike Pence militares e políticos republicanos. Os juízes da Suprema Corte, de seu lado, já vinham negando provimento às sucessivas catimbas políticas do fracassado. Entre nós, um sõ exemplo do quanto somos diferentes bastaria para estabelecer nosso compromissos com a democracia, não houvesse tantos a indicar. Fiquemos num só, a portanto: a interferência direta do Ministro da Defesa nas eleições presidenciais de 2018. Como hombridade é artigo de luxo em falta no mercado (e este não deixa subir sua cotação), o resultado é o que se viu. E, infelizmente, continua sendo visto. Isso não quer dizer que nos Estados Unidos da América do Norte existe democracia consolidada e capaz de ter sua imitação desejada. Há setores, porém, que preferem o respeito às normas constitucionais às aventuras aparentemente tresloucadas com a que Trump tentou. Só por isso minha mea culpa é meia-sola.

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