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Mau gosto

O senso de humor não costuma hospedar-se na mente dos que rendem homenagem à morte e se mostram avessos a qualquer sentimento que valorize a vida. Quando ocorre, raramente embora, de um desses seres cuja humanidade não vai além da aparência, tentarem mostrar-se bem humorados, é certo a suposta anedota vir recheada de tragédia. Sugerir, por exemplo, que Donald Trump merece receber o Prêmio Nobel da Paz avança demais dos limites em que o ridículo pode ser tolerado. A sugestão, sem surpresa proposta pelo exterminador do povo palestino, constitui, assim, mais que um ato de exagerado desprezo pela sensibilidade humana, uma espécie de coroamento da obra que seu autor vem realizando, em desfavor da humanidade. Se a proposta é trágica e até certo ponto surpreendente, não o é sua autoria. Ao genocídio do povo palestino, regido pela infame batuta de Benjamim Netanyahu, não têm faltado componentes de extrema perversidade. Desde o bombardeio de locais onde se abrigam crianças e idosos, até os obstáculos à ação humanitária pretendida por instituições preocupadas com a paz. A escolha do mais ostensivo cúmplice da ação criminosa do Primeiro-Ministro de Israel, portanto, agride a maioria das população do Planeta, que não vê a hora de fazer da globalização um movimento fraterno, próspero e solidário. Se não houver vigorosa e crescente reação da comunidade internacional, inclusive manifestada pelos governantes das nações, à sugestão formulada por Netanyahu, não demorará o dia em que a explosão de uma bomba atômica produzirá trágicos e mais amplos efeitos. Já não mais só em Nagasaki e Hiroshima. Quantas mais virão depois? Milhões de mortos serão o produto dessa piada de mau - e trágico - gosto.

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