Manipulação que só engana trouxa


Quando a inflação enriquecia os usurários e os levava diariamente às agências bancárias, muito do tempo das autoridades monetárias era gasto em inventar novos critérios de aferição da chamada espiral inflacionária. Inflava-se, também, a criatividade malsã, na jamais abandonada tentativa de vender gato por lebre. Porque essa parece, não é de hoje, a providência preferida pelos governantes, se sua incompetência ou compromissos não têm interesse em fazer diferente.

Atualmente, deu-se de confundir conceitos há muito formulados, em especial se da confusão resultam mais benefícios para os ganhadores de sempre. Aqueles que o jornalista Élio Gaspari diz constituírem o andar de cima.

Em grande medida, os jornalões se encarregam de repercutir a confusão de conceitos, não importando se disso resultem prejuízos apenas para o – com nova permissão de Gaspari – andar de baixo.

Refiro-me, agora, às notícias sobre a queda do que os media chamam desemprego. Teria sido de 11% a queda, comparados os índices de 2019 com o ano anterior. Em 2018, o desemprego alcançava 12,3% da população economicamente ativa. Agora, anuncia-se desemprego de 11,9%. Ao mesmo tempo, somos informados de que há, dentre as pessoas OCUPADAS, 38,4 milhões de trabalhadores. (A caixa alta é proposital, pelo que tem a ver com a divulgação desonesta dos números e índices relativos ao emprego e trabalho, no Brasil de hoje). Qualquer leigo sabe que EMPREGO é uma coisa, OCUPAÇÃO outra.

A comemoração, propositalmente tonitruante, tenta esconder o expediente desonesto. A situação dos que integram a categoria dos informais pode ser tudo, menos uma relação de emprego. Desde quando biscate é emprego? Uma coisa é manter relação empregatícia; outra é exercer atividade sequer amparada pelo que restou na legislação trabalhista recentemente emagrecida.

Mintam, mas mintam pelo menos sem tanta crueldade.

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