Mais uma cruz

Mais uma cruz

Pouco mais de uma dúzia de palavras em discurso de 15 minutos, bastaram para o Presidente Jair Bolsonaro falar de seu compromisso com o credo religioso a que se diz fiel. Na oração com que cumpriu a deferência há muito tempo atribuída ao dirigente da mais populosa nação católica, Bolsonaro protestou contra o que chama cristofobia. O orador, contudo, não chegou a explicitar em que consiste esse sentimento, de que nem o Secretário da Portas Abertas compartilha. Embora dedicada a defender o direito de a Igreja e outras denominações cristãs – guardem ou não fidelidade ao Crucificado – gozarem da plena liberdade de organização e culto, a entidade no Brasil dirigida por Marcos sequer usa a expressão a que o Presidente conferiu solenidade. Ou porque desconhece o significado do termo, ou porque o exagero pode passar despercebido, a impressão dada é a de que o Presidente tenta convencer-se a si mesmo de que é fiel ao andarilho nazareno. No íntimo, tenta conciliar suas mais profundas e escondidas - outras nem tanto - motivações com a construção de imagem capaz de desfazer o vínculo essencial delas com sua conduta. Bandido bom é bandido morto tem sido a mensagem mais ostensiva da incompatibilidade que Bolsonaro tenta remover. Não é à toa, por isso, seu amor às armas e o empenho por serem crescentemente utilizadas pelos seus contemporâneos. E governados. A Portas Abertas, por seu representante, defende a liberdade religiosa e denuncia a perseguição dos cristãos espalhados pelo Mundo. A entidade não concorre para a discriminação de qualquer denominação, razão suficiente para indicar a impropriedade de escolher auxiliares terrivelmente isto ou aquilo. Essa posição da Portas Abertas é que lhe dá autoridade para manifestar-se contra os que perseguem os fiéis de Jesus Cristo. Devem preocupar a entidade, a um só tempo, a matança de jovens missionários católicos em Moçambique, quanto em outros países. Também pregação que mal esconde a tentativa de desqualificar comunidades religiosas, algumas vezes apresentadas e reconhecidas como seguidoras do homem de Nazaré. Não precisa ver no filho de Maria e José um enviado dos céus, para reverenciar sua vida, toda ela dedicada a criar na Terra um reino de Amor – em que a solidariedade, a fraternidade, a compaixão serão a base desarmada da Paz. Reino em que não cabem o ódio e a mentira por ele gerada.

1 visualização0 comentário

Posts recentes

Ver tudo

Ordem verbal

Os estudiosos da Psicologia são uns danados! Eles vão buscar no fundo mais profundo das pessoas a motivação de toda sorte de comportamento. Cada qual a seu modo e preferência, são eles os profissionai

O galho de cada um

Há quem diga não ser a vida mais que um espetáculo teatral, pelo que ela, apresentando-os, representa os sentimentos e inspirações que justificam a conduta dos membros da sociedade. Dizem os comportam

Direito de expressão e charlatanismo

Para dizer o menos, foi inoportuna a nota divulgada pelo Centro de Comunicação Social do Exército, a propósito de matéria publicada no semanário Época. Assinado pelo jornalista Luiz Fernando Vianna, o

Arquitetado e Produzido por WebDesk. Para mais informações acesse: wbdsk.com

Todos os Direitos Reservados | Propriedade Intelectual de José Seráfico.