Arquitetado e Produzido por WebDesk. Para mais informações acesse: wbdsk.com

Todos os Direitos Reservados | Propriedade Intelectual de José Seráfico.

Mais risco à frente

Os acontecimentos recentes, envolvendo moradores do Monte Horebe, revelam mais do que o noticiário se empenha em publicar. A impressão que se tem é a da ocupação da área por famílias induzidas a fazê-lo. Quem as levou para lá? Houve distribuição gratuita de terrenos? Se houve, quem a fez? Quando? O que foi feito, antes, para evitar que a primeira casa fosse erguida? A quem aproveita a ocupação e, agora, a expulsão ou manutenção dos moradores?

Várias são as hipóteses a considerar, desde as terras serem da União ou do Estado ou Município, até ter proprietário privado, passando pela grilagem. Neste último caso, grilagem de terras por terceiros que as teriam passado aos atuais ocupantes. Não se pode descartar a interferência de agentes políticos, na entrega dos lotes.

Outro aspecto a ter em conta relaciona-se à presença, no Monte Horebe, de indivíduos ligados ao tráfico de tóxicos. Segundo depoimentos, é sob o comando deles que o bairro vive.

Dependendo das respostas às questões levantadas acima, a ação dos órgãos oficiais encontraria a forma de enfrentar o problema. Se se trata de terras públicas, o mais adequado seria promover o cadastramento das famílias e a regularização de sua permanência no local. Com a exclusão dos que não comprovassem o mérito que se atribui a tantas funções: a inexistência de outra moradia e a prova da insuficiência de meios para adquiri-la. Assim, os que construíram a pequena morada em que se abrigam não se sentiriam ofendidos e humilhados. Como está ocorrendo.

Se as terras pertencem a algum proprietário individual ou coletivo, que se conheça de quem se trata. Ao que sei, há um mandado de reintegração de posse, mas quem o solicitou, se alguma vez foi divulgado, o foi de tal forma que se perdeu nas entrelinhas dos diários. A invasão, como a experiência recomenda lembrar, pode muito bem estar ligada à possibilidade de farta indenização. Basta desapropriar o bem, antes de formalizar a ocupação.

Há, contudo, um complicador que impede discernimento melhor sobre a operação realizada com armas em punho. Refiro-me à presença de pessoas ligadas ao rendoso e regular (no sentido re rotineiro) comércio de tóxicos. Ao que sou informado, eles foram os menos intranquilos, durante a operação. Talvez até se cumprimentassem e festejassem o júbilo de que estavam tomados. Porque jamais pensarão que o aparato bélico posto em ação os atingiria. Havia prioridades, na ação: os que, sem casa, tratam de arrumar algo que os proteja da chuva e do sol e onde arrumar numerosa prole. Mesmo se sujeitos ao pagamento de pedágios ilícitos e toques de recolher sem corneta.

Lembramo-nos que este ano haverá eleições municipais! O que se pode esperar, então?


1 visualização