Mais grave que improbidade

O jornalista Reinaldo Azevedo reivindica, como certamente boa parte da população, que Jair Messias Bolsonaro e seu auxiliar Eduardo Pazuello respondam pelos crimes de improbidade. Justifica-se o plural, pela habitualidade e a variedade de atos ilícitos. De preferência a submeter-se à Constituição e ao ordenamento jurídico, o Presidente age ordinariamente à margem da Lei, e das leis. A expressão a Constituição sou eu, atrasada mais de dois séculos desde que seu criador perdeu a cabeça na guilhotina, diz tudo. Não só diz, como é aplaudida, festejada e em grande medida responde pelo sacrifício de vidas, que se aproximam das 200 mil. Não obstante, pelo menos mantém-se o percentual de fiéis seguidores do agente principal dessa mortandade, o parceiro do vírus coroado. Por isso, o Tribunal Penal Internacional de Haia já se preocupa, não com os atos de improbidade praticados, porque os atos de desumanidade não são menos graves, nem ocasionais. Ao contrário, comparada com a conduta reincidente do Presidente, a reivindicação do jornalista pode ser considerada demasiadamente leniente, generosa, misericordiosa. Hitler, Milosevic (Bósnia), Bizimungu (Ruanda), Gaddafi (Líbia), Gotovina (Sérvia), Ruto (Quênia), Garda (Sudão) e outros acusados de genocídio esperam ter novas companhias. Os atuais sucessores, e quem sabe os que estão por nascer, certamente não desejam sepultar com os corpos de seus parentes sua própria memória.

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