Livros e leitores

Oportuno e sempre bem elaborado o artigo de João Pereira Coutinho publicado no caderno Ilustríssimo da FSP, 01/9/2020. Nele, o escritor português comenta livro do espanhol Jorge Carrion, que a mim parece bibliófilo, mais que um simples leitor. O terceiro dessa espécie em acelerado processo de extinção de que tenho notícia. Conheci, neste percurso quase-oitentão, dois outros, um mais próximo – chamado Inocêncio Machado Coelho; o outro, de aproximação intermediada pela comunicação, amizade e admiração a distância. Seria virtual? Chamava-se José Mindlin e viveu em São Paulo. Só pela circunstância - permitam-me chama-la - locacional, conhecido de quem lê jornal, Brasil a dentro. Do primeiro dou informações em texto inserto em livro publicado em 2016 (VOZES DA AMAZÔNIA - III, organizado por Élide Rugai Bastos e Ernesto Renan Freitas Pinto). Voltemos agora a Coutinho, que desta vez não precisa acompanhar-se de Pelé para atrair minha atenção. O que o português diz do espanhol refere-se ao cuidados e fórmulas inventados por Carrion, para manter a população de livros acomodados em suas estantes. Informa João Pereira Coutinho a classificação de que resulta a localização dos livros da biblioteca particular de Carrion. Há três grandes categorias: ideias, histórias, ficções. Uma sub-classificação remete-os às denominações amigos, conhecidos e futuro. Os primeiros são colocados no escritório, lugar de recolhimento, onde a amizade será sempre bem-vinda. A sala de visitas acolhe os conhecidos, com a possibilidade de um dia migrarem para o espaço da amizade. É no corredor que os livros sobre o futuro são arrumados. Posso estar enganado, mas imagino que há certo simbolismo na escolha desse lugar Afinal, como eu, Carrion é sensível à velocidade com que o futuro chega a nós. Por causa disso, o escritor espanhol vê o comércio de livros praticado pela Amazon, de Joseph Bezzos, como prejudicial. Ao comentarista lusitano coube concluir o artigo com uma promessa formal e promissora: “Para cada livro que compro na Amazon, comprarei outro, na livraria da minha rua”. Em que cidades brasileiras isso é viável, infelizmente não sei.

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