LIMITE


Laurece Peter era um canadense que escrevia sobre administração. Autor de vários livros, tem um intitulado TODO MUNDO É INCOMPETENTE, INCLUSIVE VOCÊ. Frequentemente levado na galhofa, nem por isso o que escrevia era excluído da leitura e atenção de bom número de leitores. Dentre eles, os professores da área. A abordagem dos problemas de maneira leve, jocosa, ao mesmo tempo ferina, precisa e bem-humorada, acabou por juntá-lo na mesma lista em que estão Northcote Parkinson, Anthony Jay, Arthur Bloch e, no Brasil, Ricardo Semler, com seu Virando a Própria Mesa. Seriam eles os humoristas da administração.

Sabe-se, aqui, como carranca, cenho cerrado, olhar odiento e autoritarismo se confundem com austeridade. Alguns analistas, sem razão aparente, esquecem da relação que isso tem com a necessidade de esconder práticas ilícitas e atemorizar os que desafiam descobri-las.

Volto a Peter, de quem meus alunos me ouviram falar. O título de sua obra mais conhecida é síntese do conteúdo. Nas páginas escritas com aquele monte de palavras sem nexo, como conceituam o livro os teóricos modernos do passado, encontram-se argumentos interessantes para justificar a tese do autor. Não é minha a intenção de fazer sequer a resenha do livro-irmão de A INCOMPETÊNCIA AO ALCANCE DE TODOS,

Basta – creio – dar um exemplo elaborado a partir dos argumentos e ensinamentos do escritor nascido em Vancouver. Usando, inclusive, experiência facilmente identificável nas organizações atuais. Sejam organizações públicas, sejam empresas, em algumas delas as situações ocupam amplo espaço no cenário.

Todos temos algum, quando não numerosos exemplos de um bom vendedor promovido a supervisor de vendas. Premiado sucessivamente por seu extraordinário desempenho no contato direto com os clientes, tal êxito não se repete. Vendedor e supervisor de vendas não são iguais, pelas habilidades exigidas, sobretudo. O que muitas vezes ouvi de empresários e dirigentes de órgãos públicos fez aumentar o crédito dado a Laurence Peter. E me levou a pôr alguma pimenta no menu do norte-americano. Digo que não se faz um anel de ouro com um pedaço de madeira.

Evidente que não me escapa a probabilidade de um vendedor ser suficientemente preparado para ocupar funções mais complexas e exigentes de outras habilidades. Preparar, neste caso, não tem nada a ver com adestrar, nem com instruir. Vai além, porque os valores não podem estar alheados de qualquer que seja a ação humana.

Essas considerações me vêm à telha, diante do desempenho do Presidente Jair Bolsonaro. Mal conhecido pela sociedade civil, a despeito de 28 anos no exercício de mandato popular, Sua Excelência chegou ao limite de competência de que fala Peter, faz tempo. Seria pergunta oportuna a apresentaria as razões de ele ser excluído do Exército Brasileiro. Muitos dos generais que reservam o que resta de dignidade no governo certamente podem explicar a generosidade que mandou o ex-Capitão para casa, antes de aproximar-se do generalato. Daí permanecer obscuro o motivo de sua exclusão das forças armadas.

Para mim, o limite da competência do ex-Capitão há muito foi alcançado. Se o nomeassem chefe da segurança de uma pensão no meretrício, estaria de bom tamanho. Para ele, para a madame dona da pensão e para a sociedade.


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