Lições da vida

Desigualdade, taxação de grandes fortunas, inflação parecem palavras canceladas dos dicionários. Os especialistas e os curiosos – esses, então...! – raramente as mencionam em suas lições de rastejante economia. Muitos, buscando arrimo nas análises e interpretações fartamente disseminadas nas redes (anti)sociais. Nada mais que a substituição do esforço científico pelas fake-news. Mesmo jornalistas até pouco tempo considerados criteriosos têm optado por engrossar o coro e a voracidade do andar de cima, com permissão de Élio Gaspari. A compensação para esse tipo de desonestidade intelectual é a lição oferecida por essa grei aos deficientes físicos. Destes, os cegos não veem nada, em consequência de fato independente de suas vontades. Têm, contudo, sensibilidade que os torna videntes. Aos surdos assiste a linguagem de sinais, tão eficiente como as outras formas de expressão, na propagação da mentira. Se os deficientes auditivos não ouvem e se as mentiras não os conquistam, seus olhos podem ver com nitidez a realidade em torno. De qualquer maneira, os cegos e surdos por opção dão a todos nós uma lição – má lição, o que não nos impede de aprendermos algo.

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