Leitura e aprendizado

Desde que o nome do Cardeal Jorge Bergoglio foi anunciado Papa, enchi-me de esperança. A escolha do santo de Assis, seráfico por todos chamado, atraiu minha atenção. Ainda mais, por abrir seu pontificado abrindo-se à comunidade internacional como o compromisso que, faz 800 anos, animou o homenageado. Não era muito difícil alimentar a expectativa que alimentei desde o primeiro momento, face ao ideário conservador do Papa que o antecedeu. Mesmo os agnósticos, como eu, sabem do papel que o líder da Igreja desempenha na política internacional. Influência que extrapola suas obrigações de Chefe de Estado, pois envolta na fé de seguidores que se contam para lá do bilhão de seres humanos. Se a primeira encíclica do seu pontificado teve menor impacto sobre meu olhar (Labora Si), a mais recente (Fratelli tutti) convocou-me de imediato ao estudo e à apreciação do que ela contém. Dou-me o trabalho, agora, de ler atentamente o conteúdo das 91 páginas colhidas através da internet, depois de ter feito o que penso fazer um legista, diante do corpo inerte posto à sua frente. No caso, o objeto de minha análise tem vida, e muita vida. Nem apresenta, como já pude perceber, a rigidez própria dos que morreram. As ideias de Francisco são vivas e, principalmente, apoiadas na realidade que ele não apenas observa, como sobre ela se põe a refletir. Isso pude sentir à primeira e transversal leitura do texto. Nos 287 comentários que compõem os tópicos em que os temas são apresentados (em número de 70), estou certo de que encontrarei razoável inventário dos grandes e graves problemas por que passa a sociedade humana. Do que já li, até o comentário de número 113, nada há de que se possa discordar. Pode ser que, adiante, algum tema gere divergência, porque sem isso a própria compreensão do fenômeno abordado sairia empobrecida. Duvido, porém, que Francisco possa contradizer-se, tantos os exemplos dados até agora, de seu amor à humanidade e à vida dos humanos e de sua superioridade diante dos preconceitos e vícios que marcam a sociedade dita pós-moderna. Se o Papa agradará aos que se dizem cristãos, confesso ter muitas dúvidas. Pelo menos quanto a certos deles que respondem pela desigualdade reinante no Planeta. Deixem-me interromper agora, pois é hora de retomar a leitura (com registro escrito e resumido do que tenha lido) que só me enriquece. Não na forma como certos supostos cristãos usam o termo.

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