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Língua - presa ou suja?

A linguagem tem mais importância do que em geral imaginamos. Ela tanto se presta a deixar claros pensamentos e sentimentos, quanto a escondê-los. Como em quase todas as áreas da atividade e da conduta humanas, a sabedoria popular formulou uma sentença lapidar que tem muito a ver com a linguagem que usamos e levamos à praça. Refiro-me à expressão costume de casa leva-se à praça. A precaríssima informação que tenho sobre Sigmund Freud e a Psicanálise sugerem-me quanto o sábio alemão prestigiava a linguagem. Não fosse assim, seriam outras as técnicas por ele utilizadas na exploração dos escaninhos instalados na cabeça das pessoas. Sensível e perspicaz, ao médico criador da Psicanalise coube fazer da linguagem dos pacientes mais que um exclusivo veículo de comunicação interpessoal. Intuo ser a audiência do analista acompanhada da atenção aos gestos, à linguagem corporal do analisando. Ouso avançar, para dizer que o menor esgar, o olhar, o rictus quase imperceptível tinham seu lugar nas práticas freudianas. Digo isso, tocado por certas declarações de autoridades públicas, largamente divulgadas. Já não me preocupa o palavreado chulo e debochado, com alta e cotidiana circulação na sociedade. Esse é fenômeno tão rotineiro que ninguém mais lhe dá atenção. Até porque, em geral sucedido por ações muito mais agressivas e deletérias que o palavrório descabido. Exemplo recente, provindo da mesma origem, confere ao Exército Brasileiro a condição de bem privado, submisso à vontade e aos caprichos do transitório ocupante do poder. Caso seja necessário, disse o Presidente da República, meu Exército será posto na rua. A rigor, a transformação de outras instituições públicas em propriedade pessoal do Chefe do Poder Executivo não é novidade. A PGR e a AGU têm as próprias siglas comprometidas, operando não na representação da República ou da União, mas em proveito da pessoa instalada no principal gabinete do Palácio do Planalto. Algumas vezes, até, empenhadas em causas que envolvem familiares do Presidente. Com a agravante de não serem poucas, tantas as atividades praticadas pelos beneficiários dos serviços desajustadas em relação às leis. Pior é o silêncio dos demais poderes, quando não o aplauso expresso à conduta malsã, sob qualquer aspecto lesiva à cidadania.

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