Lâminas


Aos inconfidentes

Sinto-me

entre espadas:

a de Dâmocles

não me atemoriza

cortesãos bajuladores

Dionísio até

não pode ser servido

nem Siracusa existe

em mundo prestes

a ver-se dissolvido

jovens belas

efebos sedutores

pratos elaborados

por mestres abundantes

agora

desaparecem desaparecerão

nos tristes covões

escuros escavados na História

aos de hoje

contenta a cova rasa

onde sepultam

sorridentes

a esperança

olhos postos no

futuro que se cava

no palco onde falece

a bonança

Sinto-me fraco

ante a língua

fraca falsa ferina

a mente tosca incandescente

superior a toda circunstância

lâmina atroz e odienta

vírus imanente

alimentada

a ódio e a ganância

O pescoço

como se houvera

guilhotina

dá-se conta

no alvoroço da manhã

dos desvarios a que

a lâmina aspira

em cima dele inquieta-se

todo o ser forte

enquanto ar houver

e o pulmão

respira

sem aspirar o

ar sem amanhã

Não será nova

a cruz que a todos

cabe

nem entra neste

pedaço da História

incapaz de reter

santos espinhos

disso toda a gente

sabe

contínua perseguição

de bons caminhos

para impedi-los

junta-se a escória

A corda

da Lampadosa o largo

não nos deixam

esquecer antecedentes

não foi espada

a forca fez suas vezes

destruiu sonhos

esmagou belos horizontes

chamou Caronte

parcas valquírias

para levar o que

tirava dentes.

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