Lágrimas e dividendos

A ideia de levar o Estado a intervir na Companhia Vale do Rio Doce em consequência da tragédia de Brumadinho suscita algumas considerações e indagações. Dentre as primeiras, o discurso da excelência do setor privado, em confronto com a gestão pública. Depois, a alegação de que temos um Estado gordo demais, espaçoso, agigantado. Aqui, nunca será inoportuno lembrar a absorção de numerosas empresas privadas pelo Estado, em razão do descumprimento da Lei ou de falências propiciadoras do enriquecimento dos supostos falidos. Graças a isso, houve momento em que o portfólio oficial incluía fábrica de tecidos e de calcinhas. A Vale, entregue de mão beijada ao controle privado, agora está na iminência de ser devolvida. Os acionistas já terão recebido o que lhes foi prometido, os diretores certamente têm reservas e preparam-se para criar e dirigir novas e novamente exemplares empresas, enquanto os sucessores dos desaparecidos e mortos de Brumadinho são livres para produzir lágrimas. E não mais.

0 visualização0 comentário

Posts recentes

Ver tudo

Confusão tola

As novas tecnologias da informação que na percepção de Marshall Mac-Luhan transformaram o mundo em uma aldeia global, nem sempre têm sido vistas com a seriedade necessária. Talvez aí esteja uma das ra

Policialesco

Quem ainda tenha dúvida sobre a transformação do Estado democrático de Direito em um Estado policial, leia com atenção noticiário sobre as irregularidades atribuídas ao ex-reitor da UFSC, professor Lu

Justa reverência

Denominar o prédio em que se instalou a Faculdade de Artes da UFAM de Maestro Nivaldo Santiago era o mínimo que o velho professor merecia. Fez-se justiça a ele, cujos serviços profissionais engrandece