Lágrimas e dividendos

A ideia de levar o Estado a intervir na Companhia Vale do Rio Doce em consequência da tragédia de Brumadinho suscita algumas considerações e indagações. Dentre as primeiras, o discurso da excelência do setor privado, em confronto com a gestão pública. Depois, a alegação de que temos um Estado gordo demais, espaçoso, agigantado. Aqui, nunca será inoportuno lembrar a absorção de numerosas empresas privadas pelo Estado, em razão do descumprimento da Lei ou de falências propiciadoras do enriquecimento dos supostos falidos. Graças a isso, houve momento em que o portfólio oficial incluía fábrica de tecidos e de calcinhas. A Vale, entregue de mão beijada ao controle privado, agora está na iminência de ser devolvida. Os acionistas já terão recebido o que lhes foi prometido, os diretores certamente têm reservas e preparam-se para criar e dirigir novas e novamente exemplares empresas, enquanto os sucessores dos desaparecidos e mortos de Brumadinho são livres para produzir lágrimas. E não mais.

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