José Veríssimo - humanista e liberal a seu modo*

!. Introdução

A meritória iniciativa do Núcleo de Estudos de Administração Brasileira - ABRAS/ UFF, fazendo realizar em Manaus o V Encontro Nacional de Administração e Pensamento Social, desta vez abre espaço à divulgação, exposição e debate da contribuição dada pelos intérpretes da Amazônia a essa importante faculdade humana - o pensamento.

É do pensamento produzido na Amazônia ou sobre a Amazônia que tratamos, mais frequentemente, nas sessões programadas. Certamente, todos teremos dado ou daremos destaque à importância - diria, mesmo, essencialidade - de lermos e ouvirmos o que escreveram/escrevem e dizem/disseram os que experimentam/experimentaram o cotidiano vivido em meio à mais exuberante floresta tropical do Planeta. Não, também é certo, para louvar o beletrismo que sustenta discurso ufanista, despreocupado da aplicação da sabedoria dali proveniente à resolução dos problemas com que se há defrontado - e não é de hoje - a população regional.

Ao contrário, aqui se expõe e se discute o resultado da observação atenta e arguta dos que entendem o fenômeno administrativo livre de peias que o encerrem no pobre espaço físico das organizações, públicas ou particulares. Trazer a interpretação desses estudiosos, portanto, serve a vários propósitos, não excluído o bel-prazer proporcionado pela leitura de peças tão instigantes quão prenhes de belas imagens. Como a embelezar ainda mais o quadro que a própria Natureza inscreveu no espaço amazônico.

Vários dos que antecederam esta exposição já revelaram quão sábio é beber da boa fonte, em especial quando se trata desta área que o poeta já chamou "Pátria da água".[1] Pátria que se estende para além da Amazônia mais próxima, alcançando os países hispânicos ao nosso redor. Melhor assim, pois que nossas diferenças - a começar pela língua falada - são menores que nossas semelhanças.

Se nosso passado em algum momento nos afastou, nosso presente está a indicar que o futuro não será bem construído, a não ser que saibamos dar olhos e ouvidos aos que interpretaram nossa realidade, nas múltiplas facetas que a configuram.

Dito isso, procurarei trazer à mesa de debates a contribuição oferecida por José Veríssimo Dias Mattos, que, houvesse colunista social nos jornais da segunda metade do século XIX e primeiros três lustros do século XX, seria considerado "um paraense que brilha lá fora".

2. O homem

Nascido em Óbidos, cidade paraense situada no Baixo-Amazonas, José Veríssimo Dias de Mattos viveu de 08 de abril de 1857 a 02 de dezembro de 1916. Porque tenha estudado tanto em Belém, quanto em Manaus e no Rio de Janeiro, seu espírito arguto e polêmico talvez aproveitou essa circunstância para apreciar o mundo e as gentes que o povoam. Pode, então, interpretar os fenômenos postos sob sua observação tanto do ponto de vista de quem era parte do meio, quanto de quem olha esse meio de fora dele.

Dedicando-se ao magistério e ao jornalismo, incursionou pela história da educação, pela crítica literária e pela antropologia, como um pensador humanista. Talvez tenha sido um dos últimos remanescentes da cepa de que se originam Erasmo de Roterdam, Thomas More, Giovanni Boccaccio, Montaigne, Auguste Comte e tantos outros.

[1] MELLO, A. Thiago de. Amazônia - Pátria da Água. Ed. Bertrand Brasil,


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V Encontro Nacional de Administração e Pensamento Social: a Contribuição dos Intérpretes da Amazônia - Manaus, 25 a 27 de novembro de 2014

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